A Mágica da Maternidade

Essa semana, em uma conversa com uma mãe que se sente anulada depois que seu bebê nasceu, vieram à tona sentimentos que eu tinha com relação a essa sensação de fantasma que só amamenta e trocava fraldas. Para incentivar essa mãe, listei coisas que fiz, conquistei e descobri depois que a Isabela nasceu, achei que vale a pena compartilhar com outras mães.

Desde criança eu pensava que mães eram seres sobrenaturais, daqueles que tem superpoderes e sabem de tudo. Não mudou nada quando cresci. Parece que as mulheres sentem seus filhos, sabem o que eles querem, do que precisam e como curar qualquer dor. Mas daí eu me tornei mãe e vi que eu não tinha nada de super poder ou de entendimento natural sobre meu bebê.

Depois eu entendi que na verdade, a convivência intensa com o filho nos conecta de forma especial, mas descobri mais, isso acontece com qualquer pessoa que aprendemos a observar por muito tempo, não precisa ser seu filho. Conseguimos, na maioria das vezes, ler a expressão e o som deles. Eu demorei para perceber que sabia de tudo isso, o que faltou em mim foi confiança. O dia que assumi que eu podia dar conta, eu aprendi a me achar “super” mesmo tendo muitas limitações. Muitas vezes a Isabela pergunta como sei o que ela tá pensando ou sentindo, eu digo que é porque conheço cada linha do corpo dela e sei ler os sinais, muitas vezes só chutei mesmo.

Quando descobri que estava grávida achei que minha vida ia acabar, parar, sei lá, pensei em tudo, menos em um futuro feliz. Mal sabia que a minha vida recomeçaria a partir do nascimento da Isabela. Na verdade, é porque eu não tinha vivido de uma forma bacana até então. Eu não tinha ideia do que estava por vir, e me preparei para algo negativo, para uma anulação da mulher que eu queria ser, achei que me limitaria ao papel de mãe.

Por um tempo a ficha não caiu, eu era uma máquina materna, e achava que estava completa. Estava entorpecida pelo que chamam de amor de mãe. Mas depois eu vi que a vida dela tinha começado e que eu podia ser o que eu quisesse para poder fazer ela ser o que quiser. Nesses nove anos que sou mãe, me formei em Direito, conquistei a carteira da OAB, fiz uma especialização em Direito Contratual, criei este Blog, fiz intercâmbio para o Canadá, conheci a Europa, acampei sozinha com a minha filha, conheci o Rio de Janeiro, fui nas paraolimpíadas…

Enfim, poderia ficar aqui listando uma infinidade de coisas que conquistei, descobri, conheci e realizei. Ao me tornar mãe, eu descobri que eu podia me reinventar, eu poderia ter feito isso sem uma filha, mas eu só tive maturidade de me enxergar quando a Isabela nasceu e eu percebi que ou fazia algo ou virava uma mulher fantasma que vive a vida da filha. Essa segunda opção teria sido uma péssima coisa para nós duas.

Essa é a mágica da maternidade, aceitar quem somos e realizarmos o que quisermos. Embora eu tivesse meus pais ao meu lado, me vi sozinha com a bebê e vesti a camisa da vida a dois com ela. Hoje somos amigas, nos apoiamos, torcemos uma pela outra. Ela me incentiva e eu incentivo ela. Fazemos planos para o futuro, imaginamos como seria nossa vida em diferentes realidades, sejam em mundos mágicos, imaginários ou no que acreditamos que o futuro nos trará.

A mágica só vem quando aceitamos que mães são seres humanos, que têm cansaço, preguiça e muito amor para vencer essas barreiras. Eu me tornei completa na maternidade quando assumi que não tem nenhum problema achar ruim em acordar de madrugada, ficar de saco cheio do filho ou ainda querer sumir por umas horinhas. Eu me tornei completa quando me aceitei como sou, mas até hoje tenho muita insegurança dessa escolha de ser mãe. Quando aceitamos que precisamos de uma vida fora da maternidade, quando aprendemos a lidar com a culpa que sentimos cada vez que não estamos sorrindo ou que não sabemos o que fazer, a coisa flui. Ninguém disse que seria fácil mas também não é impossível, na verdade, sabemos que damos conta do recado, só temos medo, e quando não damos conta, só precisamos saber a quem pedir ajuda.

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