Atrás de toda Pokebola vem uma criança

A febre Pokémon Go só aumenta. As críticas e argumentos contra o jogo crescem na mesma proporção que o número de pessoas jogando pelas ruas. Eu nunca suportei nem o barulho do desenho Pokémon, eu não sabia nem que existiam vários monstrinhos e muito menos entendia para que eles serviam. Mas a febre chegou e pegou a Isabela, lógico que ela, por só ter 8 anos de idade, joga no meu celular e com a minha ajuda.

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Tiramos essa foto enquanto esperávamos no estacionamento. Dá para brincar em qualquer lugar.

Assim como a Isabela, muitos amigos dela jogam nos celulares das mães. A maioria das mães não só não entenderam o jogo como não se interessaram por ele. Mas pelo menos deixam seus filhos brincarem. Uma parcela de pessoas que é contra deixar o filho jogar esse jogo, não só proíbem as crianças como saem censurando as outras mães a plenos pulmões, ou melhor, a plenos dedinhos digitando coisas nas redes sociais.

As críticas são as mais variadas. O que me espantou e me fez escrever sobre isso é que, não há fundamento e muito menos condiz com a realidade do jogo. Por exemplo, muitas mães falam que é um absurdo deixar o filho ficar jogando no celular o dia todo, concordo, mas será que estas mesmas mães não limitam TV e joguinhos, é só esse jogo em especial? Por que será que esse jogo causa tanto medo?

Vamos deixar de lado a conspiração de que a CIA usa o jogo para espionagem, mesmo porque essas pessoas não criticaram isso. Nem ligaram pra isso, afinal elas têm redes sociais das quais pedem as mesmas permissões abusivas que o jogo também requer. Vou focar apenas nas crianças e nas críticas que recebi diretamente.

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O jogo é cheio de avisos para que a pessoa não saia por aí arriscando a vida dela e dos outros.

Dizer que o jogo é perigoso porque uma criança morreu afogada é um exagero, a criança se afogou porque pegou um barco e foi para a água. Isso não é culpa do jogo, talvez essa criança fizesse isso em outra situação. Pode ser que ela tenha tido a ideia a partir do jogo, mas ela teria essa ideia com outras brincadeiras. Crianças são imprevisíveis e não sabem o perigo das coisas. Pior que culpar o jogo foram as pessoas que culparam os pais. Esses juízes de redes sociais que adoram achar o culpado para qualquer acidente não sabem o desfavor que fazem para uma família em luto.

A criança foi um caso só, mas e aqueles que caem de prédios? Teve aquele adolescente que caiu do 16º andar. Ele caiu porque jogou em local perigoso. O jogo é cheio de avisos para não andar em áreas perigosas, não é necessário estar no alto ou correr para pegar um Pokémon. Esse garoto se distraiu com o celular, dessa vez a distração foi por causa do jogo, poderia ser com qualquer outra coisa. Ele poderia estar respondendo uma mensagem de texto enquanto andava. O erro foi não olhar para frente.

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Rola até uma tentativa de avisar para não jogar dirigindo, mas claro, aquele que não se importa em matar alguém, pode clicar alegando ser passageiro e seguir o curso colocando a vida dos outros em risco. Lembrando que celular no volante é um perigo comum há anos, o jogo só tem um mês.

Teve gente que me disse que acha o jogo absurdo porque tem gente que joga dirigindo. O WhatsApp é muito usado enquanto as pessoas dirigem. Tem também as redes sociais, sempre vejo meus amigos gravarem vídeos enquanto dirigem. Quantas celebridades que você segue que gravam vídeos dirigindo? Quanto à criança e o jogo, não sei como é na casa dessas pessoas, mas na minha a criança não dirige, mesmo sem celular, ela não dirige.

Quando eu disse isso a pessoa falou dos atropelamentos.  Atropelamento tem mesmo, mas a criança que atravessa a rua sozinha a faz em qualquer situação. Quando eu comecei a dirigir meu pai sempre dizia: “fique atenta, por trás de toda bola vem uma criança correndo”. Crianças na rua são desatentas, se você dirige em uma área com crianças brincando sabe disso, temos que ter cuidado e atenção dobrados.

Eu tenho uma regra com a Isabela, na rua não pode jogar, ou porque podem roubar o celular, cair e quebrar ou porque fica desatenta, estamos vulneráveis. Sempre digo para andar olhando para frente e depois parar para olhar o radar do jogo. Todo mundo que joga sabe que não precisa ficar olhando fixo, já que o celular vibra quando aparece Pokémon, e para atirar as pokebolas você pode ficar parado no lugar.

O jogo é uma bomba acabadora de pacote de dados, por isso que a maioria joga no celular dos pais. A Isabela joga muito no carro, quando eu estou dirigindo ela vai pegando as bolas pela cidade. O que eu notei é que ela aprendeu sobre diversos monumentos, são os mesmos que todos os dias ela passava na frente e nem sabia que existiam, mas agora ela ficou atenta para pegar as bolas. Ela passou a observar a rua e a cidade em volta com outros olhos, ela simplesmente não quer o ponto da bola, ela quer saber o que é aquilo ou porque tem um nome tão engraçado. Ela sabe dizer onde ficam as coisas perto de casa e sabe os nomes das praças.

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Eles invadem a casa, não precisa levar seu filho na rua. Mas dá para seu filho pegar no quintal e na garagem também. Qual a graça se podemos explorar a cidade?

Tiveram mães (sim, plural) que falaram para mim que acharam um absurdo as ruas e as praças lotada de gente caçando Pokémon. Essa foi a melhor parte do jogo. Eu adoro a parte de por a criança pra brincar no sol, com espaço, área verde e muita gente nova para conhecer. Dá trabalho, é mais fácil deixar seu filho sentado na sala de casa onde você não precisa se preocupar com estranhos se aproximando, onde você nem precisa ficar olhando se está tudo bem.

Vivemos uma era sedentária, levar as crianças para pegar Pokémon em praças e parques é uma forma de incentivá-las a se movimentar. Além disso fazemos amigos, claro que tomando o cuidado em não falar com estranhos e tudo mais. Mas as pessoas interagem umas com as outras, dão dicas de como jogar ou

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Locais históricos, artísticos e culturais são pontos para visitar na vida real e pegar itens necessários para o jogo.

pedem ajuda. Muitas mães e pais quando percebem que eu estou ensinando para a Isabela sobre o jogo ou notam que ela me pede para capturar o Pokémon porque está difícil, me pedem para ensinar para os filhos deles.

Eu me mudei para o meu bairro há exatos 16 anos, era comum ter criança pra rua, tínhamos que andar muito atentos e bem devagar, era bola, bicicleta e pipa pra todo lado. Hoje quase não vemos crianças, eu costumava dizer brincando que elas cresceram e ninguém teve filhos. Mas com a febre Pokémon as ruas voltaram a ter movimento, barulho, bicicleta e criança rindo alto. Eu estou adorando e torcendo para que surjam muitos outros jogos que nos obriguem a ter vida social fora das redes sociais.

 

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