Deixa a criança brincar

Acabaram as férias e com isso vieram minhas reflexões sobre a infância de hoje em dia. O problema não está na forma como as crianças agem ou brincam, elas continuam felizes e bagunceiras. O grande desafio somos nós adultos e nossa superproteção. Acho que pior, minha mania de achar que tenho que ficar vigiando a Isabela o tempo todo.

O que eu noto é que além das crianças estarem constantemente vigiadas, os adultos ficam controlando as brincadeiras e dando ordens sobre o que podem ou não podem. Como não viajei nas férias, a Isabela praticamente estava todos os dias na casa de amigos ou com amigos em casa. o que me fez pensar e repensar em como sou como mãe.

A Isabela sempre tem uma dessas marcas típicas de criança arteira, joelho ralado, galo na cabeça, canelas roxas, e por aí vai. Sempre que a busco na casa de amigos, ela tem um machucado novo para a coleção. Notei que as mães ficam com medo da minha reação. Parece20140410_122818 que surge um pânico nas mães do tipo “não fui negligente, ela que é arteira demais, por favor não me culpe”. Também já notei que algumas mães ficam incomodadas porque quando vêm buscar os filhos na minha casa eu logo digo que não deu trabalho nenhum e eu mal vi as crianças, elas foram para o parque do outro lado da rua e lá ficaram o dia todo.

Já até levei bronca de um pai que veio buscar a filha dele e eu falei (com essas palavras) “olha, sua filha deve estar com muita fome, ofereci comida diversas vezes, mas ela não quis nada do que tinha em casa, até pediu coisas que eu não tinha, então falei que quando ela quisesse comer o que tem, era só ela me avisar”. O tal pai achou ruim que sua filha não foi alimentada como queria. Não mimo a minha filha, não vou mimar a filha dos outros, fora que eu não sou restaurante com cardápio variado, e olha que esse dia a geladeira estava cheia.

Como sempre digo, crio a Isabela por tentativa e erro. Eu sempre dei a ela a falsa sensação de liberdade, mesmo quando os amigos estão em casa e ela vai sozinha no parque, eu vou algumas vezes na janela dar uma espiada. Por sorte, a vida tá tomando o rumo certo e ela está crescendo. Está na hora de dar mais espaço e isso me dá medo.

Nas férias a Isabela resolveu se enturmar com as crianças da vizinhança. Ela as conhece desde que nasceu, mas nunca foi de brincar com elas. Aproveitei a oportunidade para dar a ela asas, na medida de sua idade e compreensão.

A janela da Isabela é em frente o parque, logo cedo quando ouvia barulho de criança ela já saía correndo para brincar. Quando vi que ia rolar isso todo dia, fiz um acordo, pode ir para o parque hora que quiser, mas só depois de arrumar o quarto, tomar café da manhã, dentes escovados e passar protetor solar (esse último não rolou muito). Como ela sabe que eu não tenho dó de usar o veto de mãe, ela fazia tudo sem eu mandar. Quando o almoço ficava pronto eu a chamava, ela comia e esperava os amigos voltarem para o parque. Fim de tarde eu a chamava para se agasalhar e a noite ela voltava para casa. Muita gente perguntou porque eu a chamo de “minha viralatinha”, é por isso, ela pegou gosto pela rua e só volta para casa para dormir e comer.

O que eu notei na Isabela sem supervisão e sem superproteção foi que ela ficou muito mais feliz e segura. Até poucos dias atrás, qualquer raladinho ela chorava muito, nessa semana ela caiu várias vezes do patins e eu só soube quando ela chegou em casa no fim da tarde toda ralada. Acabou a necessidade de beijinho da mamãe a cada batidinha (e olha que essas batidinhas acontecem toda hora). Claro que há uma supervisão, mas não fico em cima olhando o tempo todo, e ela tem que dar satisfação de onde está e com quem está.

Ela se sente independente podendo ficar na rua e ir na casa dos amigos sozinha. O único acordo quanto a casa dos amigos é que tem que me avisar antes de ir e avisar se mudou de casa de amigo. O amadurecimento veio de forma tão rápida que, aquela menina que todos os dias pedia para eu ficar no mesmo andar que ela da casa e que não dormia no escuro ou com as portas fechadas, no terceiro dia sozinha na rua já mudou tudo isso. Me falou boa noite, se cobriu e quando fui sair do quarto, ela disse para fechar a porta que ela estava cansada e queria silêncio.

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