E quando o agressor é da nossa família?

Esse é o terceiro texto daqueles textos que resultaram da minha reflexão sobre o machismo que estupra e mata todo dia. O primeiro falei sobre nossa função como pais de ensinar nossos filhos a respeitarem o outro, o segundo foi sobre ensinar nossos filhos a gritar, pedir ajuda e ajudar. Hoje falo sobre uma coisa muito delicada, e se o agressor for nosso filho, sobrinho, irmão ou alguém que amamos?

Acho que porque minha filha é criança, ou porque ela é mulher, eu nunca pensei pelo lado da família do estuprador. Mas parei para pensar nesse assunto quando aconteceu uma coisa horrível aqui em Campinas. Foi em uma festa em um buffet infantil, a criança estava comemorando seu sétimo aniversário e seu irmão de 14 anos abusou e obrigou duas crianças a fazerem algumas coisas com ele. Não vou detalhar o caso porque não cabe aqui falar sobre isso. O que importa é que foram maldades com crianças.

Uma das crianças contou tudo aos pais durante a festa, e lá mesmo começou todo um procedimento sobre o que fazer. A crítica das pessoas foi com relação a atitude da família do adolescente e da escola, simplesmente ignoraram o fato e o garoto continuou com sua vida normal. Falaram que foi brincadeira, que ele não sabia o que estava fazendo.

Logo lembrei-me de outro caso. Um adolescente que filmou uma menina fazendo sexo oral nele e compartilhou o vídeo. A mãe desse garoto filmou ela batendo com o chinelo no filho e enviou para a vítima, que postou em redes sociais e ele foi humilhado.

Ao meu ver, nenhuma família está certa. Estamos evoluindo como seres humanos. As pessoas não devem se comportar corretamente porque têm medo de serem punidas, elas devem se comportar perante as outras porque se respeitam. Se não, sempre que houver uma chance de não ser pego a pessoa fará a maldade.

Casos de descontrole sexual, de abuso sexual, de maldade sexual, de sexo por vingança, de sexo com crianças, são casos de algum desvio ou perturbação mental. As duas mães tinham sim que castigar seus filhos, mas um castigo educativo e não um castigo punitivo, humilhante ou, pior que castigar, fingir que nada aconteceu.

O que eu faria como mãe do menino agressor? NÃO TENHO IDEIA, tenho muito ódio quando vejo essas coisas, mas e com o próprio filho? Que sentimento confuso!! Acho que nos dois casos, em primeiro lugar seria colocar esse adolescente para fazer um acompanhamento com psicólogo, e eu também já estaria em um divã me organizando. Tiraria ele do convívio da vítima, respeitar a dor da vítima é o mínimo que se faz. Se o seu filho está sofrendo porque fez mal para o outro, melhor ainda, sinal que ele não é um psicopata e tem salvação. Valorize que ele está sofrendo e o ajude a entender que esse sofrimento é porque fez mal a alguém e para não sofrer mais basta nunca mais fazer esse mal a ninguém. Se ele for preso, aceite, ele deu origem a isso, com certeza se alguém estuprar seu filho você vai querer, no mínimo, cadeia ou algo que o impeça de conviver com sua família. O estuprador está em uma fase perigosa, quantos outros ele pode ter feito de vítima? Quantos outros ele teria feito de vítima se ninguém tivesse descoberto?

Têm que mostrar a esse adolescente que ele errou e que isso terá consequências sérias para a pessoa que ele fez mal. Que essa pessoa passará a vida tentando entender e aceitar o que ele fez, o mínimo que ele faz é assumir seu erro e sumir da frente da vítima e da família dela.

Se você está na situação de família do agressor, pense, como você quer proteger as mulheres e as crianças, acabar com o estupro e com a pedofilia? Se você tem na sua mão um estuprador, você o protege e ajuda ele a fingir que nada aconteceu? Nesse caso eu não entendo, como é possível ensinar a um adolescente que se ninguém souber que ele estuprou o estupro não ocorreu? Para a vítima aconteceu!! A vítima vai se lembrar disso todos os dias da vida dela, vai sonhar com isso, vai ter medo e outros sentimentos ruins pra sempre. Não podemos ignorar. Nunca é cedo ou tarde demais para ensinar para os filhos a respeitarem o outro e a arcar com as consequências de seus atos.

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