Sem passar adiante meus traumas de provas

Quando terminei o colegial, hoje ensino médio, eu tive a certeza de que nunca mais estudaria nada da área de exatas na vida. Lógico que, como quase tudo na vida, quando virei mãe percebi que estava errada e iludida. Na época de escola eu não gostava de estudar, então semana de provas era uma tortura. Quando entrei na faculdade, por mais que eu gostasse de estudar alguns daqueles assuntos, eu tinha uma filha bebê em casa, então era uma coisa que me tomava muito tempo e energia.

Quando passei na prova da OAB eu realmente me iludi que as provas saíram da minha vida. Mas aí veio a Isabela e sua vida escolar. Eu tenho que estudar para provas, mesmo para aquelas que detesto, como Matemática ou Ciências, mas alguém precisa estudar com ela.

O que eu percebi disso tudo é que eu estava passando os meus traumas da vida escolar para ela. Frases como “eu odeio matemática” ou “não sei fazer conta”, estavam saindo da minha boca e fazendo parte do vocabulário dela. Quando vi, a menina que adorava descobrir respostas de problemas de matemática, não queria mais pensar, ela chutava qualquer resposta sob a desculpa de que não gostava da matéria.

Estou me reprogramando e procurando mostrar que é algo interessante aprender Matemática. Aproveito momentos de comprar algo ou dividir coisas e calculo rápido quanto tenho ou quanto será o troco, essas coisas do dia-a-dia eu falo para ela que fica mais prático para quem sabe fazer conta.

Troquei a piada “larga a matemática e pega a calculadora”, para “vamos fazer juntas” ou “ensina a mamãe a fazer essa conta como a professora te ensinou”. Quando ela me ensina eu mostro como que fazia quando eu estava na escola, as coisas mudaram do meu tempo de escola para hoje. Ou ainda, eu tinha umas formas malucas de enfiar as contas na minha cabeça e tento mostrar para ela como eu era confusa mas dava certo.

Coisas que eu mudei também é que antes quando estudávamos eu pegava a calculadora para conferir os resultados, por pura preguiça, mas agora voltei a fazer tudo de cabeça ou com os dedos mesmo.

Antes, quando a nota dela não era muito boa na prova, eu logo dizia que a matéria era difícil mesmo. Agora eu mudei isso e percebi que a deixei mais segura com a prova. Antes de opinar sobre a prova e a nota, primeiro eu leio os exercícios e vejo quais foram os erros dela. Se vejo que o erro foi por distração eu digo que ela errou algo que sabia mas se distraiu. Se o erro foi porque estava difícil, eu falo para ela que realmente estava difícil e a ensino como fazer aquele problema. Depois digo se achei a prova como um todo difícil ou não e se o desempenho dela foi devido a dificuldade ou distração.

Outra coisa que mudei com ela é a forma de incentivo, parabenizo bastante quando vejo que está cansada ou com muita dificuldade e mesmo assim está insistindo em aprender. Se o foco dela muda porque enjoou dos estudos eu a deixo descansar, tomar uma água, dou intervalos. Sempre digo que ela evoluiu muito e que está sabendo as coisas. Mas não minto, quando a coisa não está fluindo ou quando ela não consegue entender, eu insisto e espero a hora certa de um elogio, nem que for para elogiar a persistência. Se tem uma coisa que a Matemática me ensinou depois que virei mãe é que na vida da criança existem muitas situações que assustam, não precisa somar com os meus traumas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: