Porque eu indico Netflix

Como eu sempre digo, sou mãe que cria a filha na base da tentativa e erro. Sou contra a publicidade infantil, sou contra o exagero e malandragem das informações de produtos que descarregam em cima de nossos filhos.

A Isabela assiste programas na TV aberta, nos canais da TV por assinatura e na Netflix. Eu sou neurótica, daquelas que fica em cima do filho, fiscaliza o que ele está vendo, quanto tempo está na mesma atividade e tudo o mais. Eu não gosto da forma que alguns canais da TV aberta fazem publicidade, colocando imagens de produtos no meio das cenas dos programas.

Os programas dos canais infantis por assinatura são a maior agressão que o marketing oferece. A criança não sabe nem distinguir o que é intervalo comercial do que é o programa que ela está assistindo, as coisas se misturam e não avisa quando deu uma pausa na programação. Eu notava que quando a Isabela era mais novinha, muitas vezes ela parava o desenho no meio sem nem se dar conta que não tinha acabado, ou então, pior ainda, ela parava de assistir para ficar me pedindo para comprar algum produto que ela viu na TV.

Nos dois últimos meses, fiz um teste. Deixei a Isabela assistir somente Netflix. O único problema da Netflix é que não queremos parar de assistir nunca mais, ficamos vítimas do “só mais um episódio”. Mas eu combino com a Isabela quantos ela poderá assistir, e aqui em casa, ela já sabe, deu trabalho para cumprir o combinado, na próxima vez não poderá assistir, então ela respeita bem o limite.

A Netflix sai em vantagem disparada com relação as outras duas opções. Primeiro, a Isabela tem o usuário dela, limitado apenas à programação Kids. Por não ter intervalo comercial, os episódios das séries se tornam mais curtos do que os assistidos na TV, como a limito a assistir apenas uma hora de TV por dia, finais de semana e feriados é liberado o dia todo, ela acaba vendo mais coisas na Netflix, por menos tempo. Por fim, pelo mesmo motivo, por não ter intervalo comercial, a Isabela não tem pedido para comprar coisas. Diminuiu o interesse dela por inúmeros produtos que ela sempre me pedia e eu tentava mostrar que ela não iria utilizar ou brincar muito com aquilo.

Parece que ficou mais leve assistir TV, ela sente na sala, liga a Netflix, escolhe um programa, assiste e não fica parando para pedir coisas. Mas o melhor de tudo, notei que ela anda mais calma. Antes, quando ela assistia TV ela ficava agitada, falante, não só falante, falava alto, queria tudo o que via. Pode ser coincidência, pode ser que eu esteja me precipitando, mas eu acredito que tirar os comercias, as propagandas e a chuva de consumismo, deixou a Isabela mais calma. Ela vê praticamente as mesmas séries que via antes, mas agora, sem propagandas.

Eu não sou psicóloga, pedagoga e nem nada que tenha estudado crianças, sou advogada, mas sou mãe e sei dizer quando algo surtiu efeito na minha filha. Pode ser que em outras crianças isso não tenha o mesmo efeito. Não temos como proteger nossos filhos da chuva de publicidade agressiva em cima das crianças, mas podemos diminuir o contato deles com essa agressão que vêm sendo o marketing voltado para o público infantil.

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