Como os outros reagem ao castigo do seu filho

Castigo é uma palavra pesada, dá uma sensação de que estamos sendo cruéis quando falamos para o filho que ele está de castigo. Mas cruel é espancar, amarrar e mais um monte de maldades que não cabem aqui. O castigo que, em geral os pais usam com seus filhos, são aquelas privações de algo que os fará pensar melhor antes de fazer coisa errada de novo.

Comigo os castigos são variados, criativos e sempre muito bem conversados antes e depois. Não há exceção para castigo. Se fez algo errado e não entendeu ou não reparou o erro, vai ter que ser privada de algo para pensar melhor antes de repetir.

Por exemplo, de sexta-feira a Isabela tem prova, e toda quinta ela tem atividade física a tarde na mesma turma que uma amiga que ela gosta muito. Sempre que acaba a aula, eu e a mãe dessa amiga, deixamos as duas brincarem juntas um pouco antes de irmos embora. Acontece que na semana passada, por pura teimosia, ela não estudou antes da aula e voltou muito cansada, lógico que deu trabalho para estudar.

Para ela entender que é importante primeiro estudar para depois brincar até cansar, a privei do lazer antes da prova da terça-feira. O combinado foi que só pode sair para brincar em véspera de prova quando entender que dá para fazer as duas coisas se souber dosar. Hoje será o primeiro dia dessa decisão, se der errado volto aqui para falar que “deu ruim” e não devemos prosseguir com tal ideia.

Outros castigos que faço para a Isabela, é o caso de ir em festa ou casa de amiga e dá trabalho na hora de ir embora, a consequência é que não vai na próxima festa ou convite para ir em casa de ninguém. Não importa se a próxima festa é aniversário de família, de amigo da escola ou algo imperdível. Não volto atrás, está de castigo e o castigo vale para educar, prefiro perder um aniversário e ensinar para minha filha algo que acredito ser importante.

O resultado de tudo isso é que, pelo menos ao alcance dos meus olhos, e dos ouvidos, pois ninguém reclama do comportamento dela, a Isabela é uma menina obediente e que respeita os limites, meus e dos outros, os dela, ela ainda está testando. Eu fico muito feliz que ouço muitos elogios sobre o comportamento dela, sobre a educação dela e sobre ela respeitar os adultos.

Mas o que me incomoda, é que algumas pessoas falam que não posso castigar ou dar bronca. Como se eu tivesse pedido a opinião ou perguntado o que acham. Eu não discuto, quando alguém se intromete na educação que eu dou para minha filha, eu largo falando sozinho. Só aceito que falem sobre isso quando eu pergunto. Por que não deixo falando sozinho quando estão me elogiando? Porque o elogio vem sempre de forma respeitosa e com pedido de permissão, agora as críticas vêm em forma de ordem ou represália. Isso não é só comigo, inúmeras mães me escrevem ou me contam que ouvem e passam por isso.

Claro que ninguém vê que a criança é boazinha porque sabe que tudo o que ela faz tem consequência, seja bom ou ruim. Isso é algo que faço questão de frisar, quando fez algo bom, deixou alguém feliz, recebeu um elogio, qualquer coisa positiva, eu falo para ela o quanto foi legal a atitude e o quanto é prazeroso sair com ela. Quando ela faz coisa ruim ou errada eu falo também que foi uma péssima ideia, mostro a reação de quem estava perto, e se não entender na hora, vem a consequência castigo.

Já ouvi muito pedirem para eu abrir uma exceção ao castigo, dizendo que ela é tão boazinha e não merece essa punição. Já ouvi também que quando a festa que ela irá perder é de alguém próximo, eu devo pular para a próxima festinha. Dois conselhos absurdos, o primeiro é errado porque, se ela é boazinha é que ela só obedece porque tem consequências, ela até tenta não obedecer, mas eu falo dura e séria que a escolha é dela, e aí ela opta por respeitar. A segunda é absurda e ridícula, ela tem que sentir, tirar algo que não fará falta não muda nada, além disso, se o castigo demorar muito para vir, ela nem vai lembrar porque isso aconteceu.

As pessoas precisam entender que a educação da criança cabe somente aos pais ou aos responsáveis, e que quem está de fora só pode se meter em casos absurdos e extremos. Muitas mães vêm reclamando disso, de que coloca o filho de castigo e quando dá as costas, alguém tira a criança do castigo.

Adulto que faz isso, qual o seu propósito em desautorizar uma mãe? Qual o objetivo final em ensinar para uma criança que nada tem consequência?

Outra coisa que o mundo precisava saber é que educar não é ser cruel. Educar é preparar seu filho para a vida. Se a mãe deixou o filho sem TV por uns dias, ela está passando uma mensagem para ele. Se intrometa quando o castigo for algo do tipo “sem água por uma semana”, ou outra coisa vital. Mas ficar sem tablet, sem ir a uma festinha, sem poder ir brincar na rua por uns dias, e outras privações que não são nada essenciais, só estão mostrando para a criança que a vida é feita de escolhas e que toda ação gera uma reação.

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