Clube secreto das péssimas mães

Esses dias teve uma polêmica nova no Facebook. A mãe que declarou odiar ser mãe. Um monte de gente ficou brava, tão brava que chegaram a falar coisas pesadas para ela, e o perfil dela foi excluído do Facebook. Não vou julgar o Facebook porque não sei o motivo deles. Não vou julgar essas pessoas que incitam o ódio, porque não sei o que elas abafam no íntimo delas. Mas vou contar aqui uma coisa que eu descobri nesses 8 anos que sou mãe, na nossa sociedade existe um “clube secreto das péssimas mães”.

Não é mais uma das coisas irônicas ou piadas que eu faço com o desastre que fui no começo da vida materna, mas sim uma realidade que eu constatei. Antes de ser mãe, todas as mães que eu conhecia viviam em um pedestal. O lugar sagrado das mulheres completas e realizadas. Ser mãe é uma dádiva e mãe nunca se cansa, mãe aguenta tudo. De fato, concordo um pouco com tudo isso. O que ninguém sabe é que vivemos nesse pedestal por conta das dores e momentos pesados que vivemos.

Como que eu descobri que ser mãe não era ser completa? Virando mãe. No primeiro mês de vida da Isabela, eu devo ter chorado pelo menos uma vez por dia. Os motivos eram os mais variados, devo ter chorado de dor, de cansaço, de insegurança, de medo… Por mais feliz que eu estivesse, tinham horas que eu só queria uma hora sozinha, em silêncio. Eu me sentia a pior mãe do mundo, várias vezes eu desejava que a Isabela dormisse muito para eu não precisar pegá-la. Me sentia péssima por desejar que minha mãe não saísse de perto, assim eu tinha alguém de confiança segurando minha bebê para eu poder tomar um banho ou deitar um pouquinho.

Fora amamentar, era uma tortura dolorida e ainda tive que ouvir de uma pessoa a seguinte frase “lógico que uma menininha assim como você não ia ser capaz de amamentar”. Essa frase doeu muito. Eu já me sentia péssima com a situação, doía e a bebê berrava de fome. Mesmo sendo alguém que eu nunca mais vi, mesmo sendo uma estranha que me falou isso, doeu.

Por mais que eu ame ser mãe desde o primeiro momento que peguei a Isabela no colo, por mais que eu a ame e queria ter mais um monte de filhos, eu não sei se eu encararia outra gravidez e outro bebê recém-nascido. Sempre que a Isabela fala de irmãos, nós debatemos sobre adoção. Eu até sinto saudade de sentir um bebê na barriga, sinto saudade dela bebezinha, mas sinto muito medo de passar por tudo isso de novo.

Longe de mim desencorajar alguém, sempre que uma mulher me fala que está tentando engravidar, eu conto o quanto eu amo ser mãe. Mas eu sou amiga, eu jogo a real, falo dos momentos ruins que passei e dou dicas do que acho que poderia ter amenizado a dor. Mas esse texto é só para falar que julgaram e jogaram pedra na mulher que falou de um jeito real o que todas sentem. Tem inúmeras blogueiras que eu sigo que falam tudo aquilo em forma de piada, e aí todos as amam. O que essa mãe condenada pelos internautas fez, foi tirar as flores e os risos do que todas nós falamos.

No primeiro ano de vida da minha filha, eu jamais imaginaria que eu seria uma pessoa que dá conselhos para mães. Mas aqui estou, sendo procurada por amigas, parentes e até pessoas que eu nunca vi na vida. E eu amo isso, porque tenho a chance de falar o que eu mais queria ter ouvido “calma, você é normal e está se saindo bem”.  Aí que entra o tal clube secreto que eu falei. Descobri que ele existe depois que a Isabela cresceu, uma pena, queria ter descoberto isso quando ela ainda era bebê, assim eu ia ver que tudo o que senti é normal.

Sempre que visito mães que acabaram de ter um bebê, ou que converso com alguma mãe que me procura, elas primeiro me sondam. Como se tivesse que responder a senha para saber se você é do clube. Perguntam coisas do tipo “você sentiu dor ao amamentar?” ou “você se sentia muito cansada?”, as mais ousadas já vão na senha mais forte “você achava que ia surtar?”.

Eu notei que no momento que eu respondo “sim” e conto minha experiência, a feição dessas mães muda na hora. Elas se sentem normais e acabam desabafando que se sentem uma péssima mãe por pensar essas coisas. Essas coisas que eu digo, são as coisas que a moça narrou no post dela. Dói, cansa, a gente quer chorar. Mas em alguns casos, a parte boa é muito maior que a ruim, em outros casos não.

Como vamos saber a dor que o outro sente? E a culpa? A culpa é a pior dor que uma mãe carrega mesmo sem ter feito nada, simplesmente porque alguém um dia ditou que você é obrigada a sorrir pra tudo e ser feliz com o bebê nos braços.

Por isso, tudo o que eu tenho para dizer para essa mãe é que ela não está sozinha, ela não é a única, e que logo essa fase passa, e talvez, ela passe a amar ser mãe. O começo é difícil mesmo, mas eu digo, por experiência própria, vale muito a pena.

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