O poder do incentivo

Eu tenho uma mania de elogiar as pessoas, mesmo quando não as conheço muito bem. Eu cresci ouvindo a minha mãe dizer que as palavras têm muito poder e que a energia do significado delas é muito forte. Como eu acredito nisso e vejo o impacto que um elogio e uma crítica causam nas pessoas, eu procuro sempre incentivar e elogiar todos. Não é somente para agradar, eu gosto mesmo de valorizar o lado bom de tudo.

Essa influência não vêm só da minha mãe. Um dos filmes/livro que mais amava na minha infância era Pollyanna. Sabendo desse meu gosto, lembro-me de quando eu era pequenininha e falava algo pessimista, meu pai logo falava do jogo do contente. Para quem não conhece, o jogo do contente é procurar o lado positivo das coisas. Por exemplo, em uma cena, estão reclamando da segunda-feira, Pollyanna logo fala que adora segunda-feira porque levará uma semana inteira para vir a próxima segunda.

Quando eu me tornei mãe, logo no início da vida da Isabela, eu me senti muito perdida. Quando eu estava na minha casa eu fazia tudo sozinha, por isso vivia correndo para a casa dos meus pais. Mas em casa, para não ficar louca, eu fazia o jogo do contente. Até hoje, se eu tiver uma noite curta de sono, ao invés de gastar tempo e energia lamentando, eu trato de dormir o mais rápido possível para curtir cada minutinho de cama. Durante o dia após uma péssima noite de sono, procuro me ocupar, assim a hora passa mais rápido, quando olho no relógio faço uma contagem regressiva animada para chegar na cama.

Tudo é hábito. Quando olhamos para uma pessoa, vemos logo suas características, nossos olhos procuram o que estamos acostumados, para assim nos sentirmos mais seguros. Como me habituei a procurar coisas boas, sempre tenho um elogio para fazer para as pessoas. Elogios sinceros, não precisa mentir, sempre haverá algo positivo para falar.

Assim, com a minha filha não é diferente. Esse ano, aprendi com a professora dela, que elogio demais pode atrapalhar o ego da criança. Conversando sobre isso com outra mãe da escola, ela me disse para elogiar sempre o caminho que levou a criança a chegar no resultado. Porque se elogiarmos o resultado, a criança aprende que o que importa é o final e não percurso. Por exemplo, elogiar notas altas, faz com que ele queira notas altas, não importa como, importa a nota. Agora elogiar o que ele fez para ter aquele desempenho na prova, o incentiva a fazer de novo.

Lógico, é fácil elogiar o filho, ainda mais quando está tudo tranquilo. Mas nem sempre eu consigo manter o jogo do contente quando estou mal humorada ou quando a Isabela está contrariando ou desobedecendo. Hoje ela tem 7 anos e eu ainda exercito isso em mim. Procuro fazer em pequenas coisas para na hora crítica ele estar mais forte em mim. Ainda não consigo, quando estou brava falo mais do que devia, mas já tive um grande avanço.

Estou contando tudo isso porque essa semana, ela teve as apresentações de dança. Como a ansiedade dela estava muito grande, eu assisti os últimos ensaios. Notei que quando mudaram o ambiente do ensaio (saíram da sala de aula), em um determinado momento da coreografia, ela fazia certo, porém, colocava a mão na boca e abaixava o ombro, de um jeito que ela faz sempre que se sente perdida. Ninguém notaria isso, mas como mãe, eu sei cada expressão dela. Vi que esse jeitinho de colocar a mão na boca se repetiu em todos os ensaios que assisti, no mesmo momento da coreografia.

No último ensaio, ela ainda fazia isso. Quando ela saiu do palco para tomar um lanche e voltar para o camarim para a noite de estreia, eu perguntei se ela estava perdida naquele momento da coreografia. Ela disse que não tinha certeza do lugar que tinha que dançar. Falei para ela que ela estava fazendo certo, que se estivesse errado a professora ia ter corrigido. Procurei incentivar, falei que ela estava dançando super bem, que ela não precisava ficar insegura e que sempre que ela se sentisse perdida no palco ela devia continuar dançando, improvisando, até voltar a se lembrar da dança.

Na hora eu achei que fosse só mais uma conversinha de mãe incentivando a filha que mal ouvia. Mas na hora da apresentação, ela não colocou a mãozinha na boca, continuou dançando e foi para o lugar mais segura. Quando a busquei no camarim, elogiei o que fez e ela se sentiu muito feliz.

Acredito que o elogio e o incentivo têm muito poder. Uma palavra pode mudar todo o rumo. Acredito que se tivesse sido antes, eu ia ter dito para ela tirar a mão da boca e dançar. Não ia ter perguntado o que era, apenas ia falar algo do tipo “você dança lindo mas tira a mão da boca”. Esse exercício do elogio e incentivo me permitiram abordá-la de outra forma, permitindo que ela não pensasse na mão na boca, mas sim na segurança para dançar.

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