Competição de gerações

Eu sempre vejo no facebook imagens comparando a infância dos anos 80 ou 90 com a de hoje. A mensagem é sempre algo que dá a entender que as crianças de antigamente eram mais felizes. Isso me faz lembrar da minha infância, alguns adultos diziam exatamente a mesma coisa, comparando com os tempos deles.

Será mesmo que uma infância é mais infeliz que a outra e que com o passar dos anos estamos criando crianças mais tristes? Lógico que não. Eu nunca vou entender esse tipo de competição que surge entre as gerações. Por que diminuir as coisas que eles gostam para supervalorizar as que gostávamos? Pior que inventaram essa competição de geração sendo que quem faz isso nem brinca mais. Será que criança feliz incomoda?

Hoje vivemos a fase do exagero na proteção e do politicamente correto. As crianças ficam supervisionadas 24 horas. Outro dia a Isabela caiu da bicicleta na rua em frente a minha casa, me senti culpada por não estar lá fora nesse momento. O que eu poderia fazer se estivesse lá fora? Nada impediria o tombo e ela estava na porta de casa, foi só entrar chorando e tudo foi resolvido.

Essa geração vigiada não é mais infeliz do que a minha geração que caía e continuava na rua com o sangue seco na perna. A sociedade evoluiu para isso, as crianças são frutos dessa nova realidade, e são tão felizes como éramos. A diferença é que elas precisam de mais colo e acham que o leite vem da caixinha e não da vaca. O resto é tudo igual, criança gosta de brincar e fazer barulho.

Quando eu era pequena eu achava que o pião, a bolinha de gude e outras coisas que meus pais brincaram na infância deles, uma chatice. Mas tinham coisas que eles me mostravam que eu achava legal, por exemplo inventar bonecas com meias velhas e futebol de botão. Isso não significava que eles foram mais felizes, foram só épocas diferentes.

O que eu faço com a minha filha, a exemplo do que meus pais fizeram comigo, é mostrar o que tinha de legal na minha época (inclusive os filmes e livros) e mesclar com o que tem de legal na dela. Muitas coisas que eu gostava ela acha chato, como eu achava chato aqueles brinquedos dos tempos dos meus pais.

Ver minha filha brincar no tablet, jogar vídeo games com controle sem fio ou por sensor, assistir Netflix, andar de bicicleta e skate com equipamento de proteção (isso nos anos 90 seria maior mico), montar legos ultra modernos, e outras coisas que ela adora, significa ver minha filha feliz, tão feliz quanto eu fui.

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