Negociar com filho

Como mãe, às vezes, eu faço algumas coisas e depois fico me remoendo. Nunca sei se fiz certo, se fiz errado, se muda alguma coisa, sei lá, aquelas surtadas de mãe. Em agosto eu fiz uma troca com a Isabela, na época, não sabia se foi boa, ruim ou indiferente.

A questão era que ela queria comprar lanche na cantina da escola. Uma vez por semana ela gastava aproximadamente R$ 8,00 comprando um pão de queijo, um suco de pozinho (aqueles que são açúcar, corante e água) e bala. Colocando na ponta do lápis, era muito dinheiro para uma menina de 7 anos. Muito dinheiro gasto com duas coisas eu não gosto que ela consuma: suco de pozinho e balas.

Ao mesmo tempo, era uma coisa bacana, porque ela se sentia grande e independente. Ela ia lá, comprava sozinha o que ela queria e guardava o troco na carteira. Fazia bem para a auto estima, mas prejudicava a saúde e o bolso.

Para reduzir o gasto e melhorar a qualidade do lanche, combinamos que seria excluído o suco da compra. Deu certo, ela comprava o pão de queijo e as balas. Mesmo assim, estava gastando toda semana. Começamos a revezar, comprava lanche em uma semana e na outra levava de casa. Funcionou, mas eu ainda achava um absurdo o valor que ela gastava para comer pão de queijo e balas.

Até que um dia, estávamos no shopping e ela pediu para comprar um brinquedo. Custava quase R$ 60,00. Eu não compro nada fora de época, ainda mais nesse valor. Falei para ela esperar o dia das crianças. Mas era agosto, para uma menina de 7 anos, dois meses é muito tempo. Começaram os pedidos, trocas e chantagens. Enquanto eu recusava todos, ela teve uma brilhante ideia. Ela me propôs que o dinheiro que eu gastaria com lanche na cantina até o final do ano fosse trocado pelo brinquedo.

O lanche sairia pouca coisa mais barata se fosse mantido o revezamento semanal. Decidi aceitar a proposta da Isabela. Assim, compramos o brinquedo e ela nunca mais pediu para comprar lanche na escola. Mas fiquei na dúvida se a troca foi certa, se ela entendeu o valor do dinheiro ou pensou que trocou comida por brinquedo. Fiquei na dúvida se a lição de abrir mão de uma coisa para ter outra foi dada.

Agora, quase dois meses depois da troca, eu conclui que foi boa a proposta, a ideia e a lição. A Isabela entendeu que para ter o brinquedo ela abriu mão de um outro gasto. Ela conseguiu perceber que quando se faz uma escolha, não pode voltar atrás ou pedir para receber as duas coisas. Ela já comentou que gosta de comer o pão de queijo da escola, mas que prefere ter o brinquedo. Ela nunca mais me pediu para comprar nada na cantina.

2 comentários em “Negociar com filho

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