Identidade misturada

Como todo mundo já percebeu, eu e a Isabela passamos muito tempo juntas. Isso é ótimo, mas em alguns momentos percebo que isso atrapalha um pouco o desenvolvimento dela e a minha individualidade.

Atrapalha a ela porque cada vez que eu ganho um presente ela espera o dela ou sempre que eu sou convidada para algo, ela se ofende se não pode ir junto. O mesmo acontece com a minha individualidade. Sempre que preciso fazer algo que não dá para incluí-la me sinto insegura e fico pensando nela o tempo todo.

Esses dias fiz uma palestra em uma creche. Como eu e a Dra. Tânia Santucci fomos lá voluntariamente, a diretora e a coordenadora da creche (Margarete Montovani Canisella e Lílian Teixeira Camargo), sempre muito carinhosas e detalhistas, nos deram uma lembrancinha pelo nosso ato. Quando cheguei em casa com o presentinho, a Isabela já perguntou o que eu ia dar para ela do que ganhei. Era um gloss e um caderninho. Quem me segue no Instagram viu (quem não segue, é só me procurar e seguir @mae_criada).

Eu dei a ela o caderninho. Mas depois fiquei pensando, até onde está certo isso de dar para ela o que eu ganhei? Não está certo em lugar nenhum. Eu preciso ter meus mimos, meus presentes e meus reconhecimentos. Não posso deixar que ela aprenda que o que é meu é dela e o que é dela, é dela. Vou ficar sem nada para mim pro resto da vida? Ela vai ficar frustrada sempre que algo vier para mim e não para ela?

Diante desse dilema, chamei a Isabela no meu quarto – calma, não peguei de volta o que dei a ela – e falei que queria conversar. Perguntei se ela achava certo eu dar tudo que ganho para ela. Ela disse que não. Perguntei se ela achava que eu não merecia receber presentes e agrado das pessoas. Novamente ela disse não. Por fim, perguntei se ela gostaria de dar para mim tudo que ela ganha. Dessa vez o não veio com maior ênfase. Falei então para ela se colocar no meu lugar e pensar se está sendo legal esse jeito de agir sempre que eu ganho algum presente ou convite. Ela disse que não estava certo o que ela faz e que mudaria isso. Vamos ver no próximo presente (fiquem a vontade para me presentear para testarmos… brincadeira!).

Quanto aos convites, ela só aceita não poder ir junto quando é trabalho ou aula. Ainda assim ela sempre pede para ir. Então, justo nesse dilema, surgiu uma viagem a passeio sem ela. Sentamos e conversamos muito. Mostrei a importância de termos uma vida juntas e separadas (tem texto contando isso). Ela aceitou bem, até me ajudou nas malas e deu dicas sobre o que era bom levar, como escova de dentes, sabonetes e coisas que ela entende serem essenciais na mala.

Acredito que a conversa tenha dado resultado porque ela aceitou bem a separação física da viagem. No próximo presente conto como ela reagiu.

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