Férias sem filhos

Esses dias passei – de novo – por uma das coisas mais difíceis do mundo. Ficar alguns dias longe da filha. Primeiro vou explicar sobre a cronologia do texto, como vou ficar 14 dias fora, os textos estão sendo escritos antes de viajar, mas programados para serem postados durante a viagem. Quem vai cuidar de tudo para mim na minha ausência é a Karol (do Blog Antes tarde do que com 30).

Mas, voltando ao assunto separação da filha. A primeira vez que ficamos separadas foi em 2009, eu fui nos jogos jurídicos com a faculdade, fiquei três dias fora. A Isabela tinha um ano e meio e eu quase morri de saudade. Depois disso só fomos ficar muito tempo separadas em 2010 quando fiquei fora por quatro dias, fui para Fortaleza com uns amigos. Todos os dias eu ligava para casa e ficava conversando com a Isabela. Que saudade que eu senti.

A pior separação foi em 2013, eu fiquei um mês no Canada fazendo um curso de inglês jurídico. Nessa separação eu sofri demais. Como todos dizem, quem sente é a mãe. Foi tenso, nos separamos no aeroporto e ela ficou gritando para eu não ir embora. Dois minutos separadas e ela já estava rindo e tomando sorvete com os avós. Eu estava soluçando no portão de embarque sendo consolada em diversos idiomas.

A viagem em si foi ótima, cresci muito, descobri que existia vida além da maternidade. Eu tinha esquecido do que gosto de comer e de que músicas gosto de ouvir, minha vida se resumia a ela. Nesse um mês separadas eu descobri uma identidade só minha e quando voltei, nossa relação como mãe e filha estava muito melhor. Eu estava madura e com mais certezas sobre o que queria para nós duas. Ela estava crescida e mais independente de mim, o que, na nossa relação, foi bem melhor.

Exatos dois anos depois, estou indo ficar 14 dias fora. Dessa vez são férias, um momento só meu. Ela também está com uma programação bem legal com os avós. Mas dá muito medo ficar alguns dias longe da filha. Quanto á saúde e segurança dela, tenho certeza que estará tudo perfeito, pois está com os avós e meus pais são ótimos. O problema é que, como toda mãe, eu sempre fico com medo e com vários “e se” na cabeça. Por exemplo “e se ela ficar com medo e quiser meu colo?” ou “e se ela precisar de algo que só eu posso dar?” – tipo o que, não sei, mas existem coisas que só a mãe pode dar.

Depois de um dia me remoendo sobre isso tudo, resolvi contar a ela que ficaríamos duas semanas separadas. Como sempre digo, filhos são esponjas. Ela percebeu que eu estava esquisita e passou o dia me abraçando e chorando dizendo que por alguma razão sentia saudade de mim. Ficou mais difícil ainda de falar com ela. Esperei um bom momento, em que estávamos só nós duas, e disse que precisava conversar com ela.

Falei sobre ter viajado só nós duas e que agora ela iria viajar com os avós e fazer algumas coisas em Campinas com eles. Enquanto isso eu estaria viajando sem ela. Lógico que veio a pergunta “por que eu não posso ir junto?”. Expliquei que era um roteiro mais para adultos e que ela não se divertiria tanto nessa viagem. Mostrei o que ela estaria fazendo enquanto eu estivesse fora “tal dia você viaja, tal dia você volta, tal dia você vai sair com suas amigas, tal dia você tem escola…”.

Ela aceitou numa boa, eu ainda não, estou indo com o coração na mão. Combinamos dormir na mesma cama até o dia da viagem. Prometi para mim mesma que farei como fiz no Canada, me permito chorar até chegar lá. Depois vou viver todos os minutos curtindo a viagem e falando com ela todos os dias. Como fiz lá, vou morrer de saudade, vou fazer tudo pensando nela, tirando foto de tudo que sei que ela gostaria de ver, vou mandar e-mails contando a ela tudo o que fiz. Ela fará o mesmo. Outra coisa que combinei com ela é que vou deixar um calendário escrito os dias e o que eu e ela estaremos fazendo. Ela vai fazendo “x” nos dias, até chegar o dia que eu volto. Depois eu conto como foi a despedida, conto sobre a viagem e como ficamos separadas por 14 dias.

 

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