Priscila: querer é poder

Hoje conto a história de uma mãe que não pode ser identificada aqui por conta de seu cargo no trabalho. Eu insisti muito pela entrevista, vale a pena estar aqui compartilhando com as outras mães essa história. Acho incrível como em pleno ano de 2015 eu estou contando sobre uma mulher que teve mais dificuldade em ter o respeito da sociedade do que em parir e criar três filhos. Vamos chama-la de Priscila.

Abro o texto com um conselho dela: “querer é poder, então tenha certeza do que você realmente quer e vá em frente! Você pode superar qualquer obstáculo e tem muito mais força do que imagina!”.

Priscila é médica, mãe de três filhos, sendo que o primeiro nasceu quando ela tinha apenas 19 anos. Como ela é contra terceirizar os filhos deixando o dia todo em escola ou com a babá, hoje em dia ela consegue uma rotina em que trabalha no período da manhã, enquanto as crianças estão na escola, assim, consegue estar com os filhos no resto do dia. As tarefas e responsabilidades dos filhos são divididas entre ela e o marido, assim, um leva, outro busca, todos almoçam em casa juntos, e a tarde enquanto o marido trabalha, ela que cuida dos filhos. Ela consegue conciliar tanto as 5 vidas na casa que ela faz natação junto com os filhos, assim mantém a importância de se ter pais presentes e determinantes na vida dos filhos.

Priscila e seu marido, juntos, criaram filhos com regras e horários rígidos para que pudessem ter um controle melhor sobre o tempo e a rotina. As crianças foram amamentadas até completar um ano, a alimentação delas é controlada para que comam de tudo, vez ou outra o doce é liberado. Conforme as crianças vão crescendo, ela entende que devem ter maior autonomia para que possam iniciar sozinhos suas rotinas e hábitos de acordo com o que vão entendendo.

Estar grávida, em nenhuma das 3 vezes foi uma tarefa fácil. Do ponto de vista médico, foram tranquilas, do ponto de vista afetivo também, teve total apoio do marido nas três vezes, mas ela estava sempre enjoada e passando mal. O primeiro bebê era muito grande, quando começou o trabalho de parto, foi feita a cesárea utilizando a manobra de Kristeller, mesmo assim, o bebê nasceu super bem. O segundo bebê ela optou pela cesárea agendada, pois o nascimento estava previsto para o dia da prova de residência que ela prestaria ao final do curso, o bebê também nasceu muito bem e foi seu parto mais tranquilo. O terceiro bebê, assim como o primeiro, não foi agendado, ela entrou em trabalho de parto mas optou pela cesárea, foi também muito complicado para nascer, precisando de alavanca para puxá-lo.

Mesmo que a recuperação da cesárea dói muito e ficando, por um tempo, debilitada em alguns movimentos, ela não quis o parto normal por ter assistido alguns durante a graduação e não se sentiu bem nessas experiências.

Como nada no mundo segura uma mãe, ela bateu de frente contra tudo e todos que vinham em sua direção para lhe prejudicar. Manteve-se firme em suas decisões e se formou em medicina, nos exatos 6 anos, sem nenhuma reprovação, em uma das melhores universidades do país. Não foi fácil, sofreu muita pressão psicológica e estudava com o filho em sua cama. Inclusive durante a segunda gestação, estudava com um na cama e outro na barriga.

Priscila conta que embora já estivesse casada quando nasceu o primeiro filho, sofreu muito com o machismo no ambiente acadêmico por estar grávida tão jovem. Sem apoio institucional, dificultaram sua permanência no curso e negaram-lhe o direito à licença maternidade. Foi cobrada por uma jornada dupla de aulas, trabalhos que eram para ser feitos em casa e estudos. Lógico que há exceções e tiveram algumas pessoas que a ajudaram nesse meio.

Concluída a faculdade, no final da segunda gestação teve a primeira prova de residência. No dia da prova foi hostilizada por um candidato quando teve que pedir para trocar a cadeira. Sua barriga de 9 meses não cabia nas cadeiras oferecidas. A resposta para esse babaca e todos os outros que dificultaram sua jornada, veio na melhor forma, Priscila foi aprovada para a segunda fase, e mesmo ainda estando com os pontos da cesárea, foi, fez e passou para a única vaga disponível.

Essa é uma das maiores lições que uma pessoa pode passar para o mundo, ela sabia que era capaz, só precisou se dedicar ao máximo. Se ela não tivesse feito esse sacrifício, hoje não teria frutos tão bons para colher. Ao invés de negligenciar os filhos ou abrir mão de seus sonhos, ela se desdobrou para conciliá-los.

Com toda essa falta de apoio da instituição durante a graduação e a residência, seus dois primeiros filhos foram muito cedo para a creche. O segundo foi logo aos 2 meses, sendo o bebê mais novo que aquela escola, com mais de 30 anos, já aceitou. Para manter a amamentação, ela ordenhava leite antes das 6 da manhã e mandava para a escola. Sempre saía no meio do expediente para amamentar seus bebês, ou ela ia até eles, ou o marido ou alguém da família os levava até ela.

No nascimento do terceiro filho ela já trabalhava em regime da CLT e pôde ficar 4 meses inteiros em casa. Já que os dois primeiros foram tão cedo para a escolinha, voltar da licença foi tranquilo e ela se sentia mais segura.

Assim, no começo a vida de Priscila era bem corrida, ela e o marido estudavam período integral e logo que puderam já começaram a trabalhar para sustentar os filhos. Ela trabalhava em diversos lugares, por isso, hoje, ela diz que sua rotina é bem tranquila. Na verdade, ela sabe que ter três filhos é motivo de alegria. As crianças têm o tempo todo uma companhia. Para os pais é bem mais trabalhoso, além de todos os cuidados que uma criança exige, quando um filho está fora, a casa continua cheia.

Com toda essa dificuldade enfrentada, hoje ela olha para trás e ri da loucura que era sua vida, com tão pouca idade e tanta coisa para dar conta. Priscila reconhece que ela e seu marido conseguem dar conta da família pois ambos se dedicam ao máximo para tudo funcionar bem. Sendo uma mulher que passou por tudo isso, ela nos deixa a seguinte mensagem “acho que toda a nossa sociedade precisa se voltar mais pra criação das crianças, porque sozinha é muito difícil. Mesmo tendo marido, não custa nada a gente ser empático e ajudar os outros – que estão na verdade criando o futuro do nosso mundo, as crianças”.

 

2 comentários em “Priscila: querer é poder

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