Ser mãe também é ser chata

As tirinhas da Mafalda em poucos quadrinhos falam tudo.
As tirinhas da Mafalda em poucos quadrinhos falam tudo.

Hoje estou escrevendo mais um daqueles textos que eu começo a viajar em uma ideia e quando vejo está aqui para todo mundo ler. Ser mãe é uma das coisas mais malucas que acontecem com a vida de uma pessoa. Primeiro que é um amor que ao mesmo tempo que não tem como falar que tem tamanho, ele cresce todo dia. Depois que a gente supera qualquer medo, desafio e perigo para ver o filho seguro e feliz.

Ser mãe é gostoso, mas de vez em quando temos que fazer coisas que doem. Não nos filhos, em nós. Aliás, nos filhos às vezes, tipo levar no médico ou dentista e fazer algo que possa doer. Mas na gente sempre vai doer. Que mãe que nunca deu bronca e saiu de perto para chorar? – eu sempre faço isso! Várias noites eu fico na minha cama remoendo o dia pensando como fui dura com a Isabela por ter deixado de castigo ou por ter dado bronca.

Sempre estou perguntando para ela se eu exagerei na bronca. Eu não sei se isso é certo, se isso tira minha autoridade. Mas a Isabela é boa de feed back, ela fala quando acha que exagerei ou quando ela sentiu medo porque me viu brava. Ela também fala que com a bronca ou castigo (depende da gravidade), ela viu que estava errada e que não vai mais fazer.

Outra coisa que me sinto a mãe mais chata do mundo, já até falei em outros textos. Mandar a Isabela cedinho pra escola sabendo que ela está com sono. Minha vontade é de por ela na minha cama e ficarmos as duas ali abraçadinhas na cama quentinha. Ou de pelo menos deixar ela ficar dormindo. Mas, como se estivesse sendo cruel, dirijo até a escola, dou um beijo nela e falo “eu te amo”. Vou o caminho de volta para casa pensando que ainda dá tempo de buscá-la para um cochilo, é só um dia, que mal tem? Eu mesma respondo meu pensamento, digo para mim mesma que tem todo o mal nisso, ela precisa aprender que não pode faltar em um compromisso só porque sentiu sono. Ela precisa aprender a ser responsável. Teremos a tarde toda para cochilar.

Pensando em coisas “cruéis” que fazemos como mãe, como esquecer das vacinas? Eu me sentia a Malévola levando aquele bebezinho indefeso para tomar vacina. Ela confia em mim, no meu colo, na minha proteção. De repente ela toma uma injeção que dói muito. Por mais que eu explicasse antes – desde que ela está na barriga eu sempre explico tudo o que vai acontecer – aquilo vinha do nada e doía. Aos cinco anos de idade ela tomou a última dose de vacinas obrigatórias. Ela me perguntou se ia doer e eu quase chorei para responder que sim. Aliás, aproveito o momento para falar que sempre que você diz para o seu filho que não vai doer uma injeção ou vacina, além dele sentir dor ele vê que não pode confiar em você.

Tem também a “crueldade” do banho e escovar os dentes. Quase nenhuma criança gosta dessas coisas. O pior é quando precisam fazer isso e estão com sono. A vontade que dá é de falar para ir pra cama sem passar pelo banheiro. Mas aí eu penso, ela vai ter que fazer xixi antes de dormir, já tá no banheiro, escova os dentes. Já que vai escovar os dentes, já toma uma ducha. Para a criança cada coisa a mais é uma tortura. Quando a Isabela reclama e diz que está com muito sono, eu falo que prefiro ela bem brava comigo do que chorando porque tem cárie ou alguma doença por falta de higiene. Antes, quando ela era pequenininha, isso colava. Agora ela fala que só um dia não tem problema. Não dá certo, eu falo que a bactéria não tem a mesma noção de tempo que ela. Falo que tá rolando uma festa de bactérias e germes na boca e no corpo dela, e que precisamos parar com isso já. Ela aceita reclamando.

O que importa nisso tudo é que por mais que dar bronca e insistir nas coisas nos façam nos sentir culpadas, chatas ou cruéis. Todas as coisas que fazemos é para o bem dos filhos. Estamos sempre visando o crescimento e a educação deles. São valores que devem ser passados. Eles precisam aprender que as coisas devem ser feitas. Que a preguiça deve ser vencida. Que o respeito pelos outros deve existir independente do nosso humor. E criança só aprende com a repetição. Eles testam os limites e tentam tomar o poder da casa o tempo todo, cabe a nós, pais, mostrar quais são as regras e quem as dita. Ser mãe não é só diversão, mas quanto mais no empenharmos melhor será o resultado para termos filhos saudáveis e melhores cidadãos.

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