Além de ter uma profissão, somos mães!

Foto retirada do link: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150408_jornalista_egito_filho_colo_polemica_lgb
Foto retirada do link que está no final do texto.

As mães evoluíram junto com a sociedade. Embora eu não consiga chamar de evolução uma realidade em que não conseguimos dar conta da jornada de trabalho somada à de mãe. Acredito que estamos, a passos bem lentos, caminhando para um mundo em que mães são o que quiserem.

Existem famílias que a dinâmica é aquela em que um dos pais trabalha e com o salário dele dá para o outro ficar em casa e se dedicar exclusivamente à família. Nesse caso, a pessoa que fica em casa e cuida de tudo, deve se atentar a cuidar dela também, pois casa e filhos exige uma jornada puxada, não remunerada e sem descanso. A tarefa é difícil e se não se dedicar a um hobby pode causar um estresse gigantesco.

Mas o texto é sobre mães que precisam trabalhar. Eu concilio com os deveres de mãe a profissão de advogada, a de escritora, uns “bico” como tradutora e ainda faço alguns cursos para ampliar meus conhecimentos. Claro, nem sempre fui assim. Nos primeiros anos de vida da Isabela eu caí na armadilha de me considerar vítima da minha condição. Eu achava que ser mãe sem um pai para minha filha, ser mãe sozinha, sem emprego e terminando a faculdade era um carma que eu teria que carregar. Eu não via uma forma de fazer as duas coisas, ou eu teria que abrir mão de criar minha filha ou eu teria que me conformar em não poder trabalhar.

Um dia a ficha caiu, não existe uma opção ou outra. Ficar sentada lamentando não educa filho e muito menos coloca comida na mesa. Quando a ficha caiu eu corri atrás do prejuízo. Estudei para passar na OAB, enquanto eu estudava a Isabela desenhava, brincava e dizia que estava estudando comigo. Quando passei na prova comecei a advogar, terminei meu livro (em breve novidades) e hoje consigo ser tudo o que falei e ainda tenho projetos em andamento e muitos sonhos para realizar.

Como caiu a ficha? Eu consegui enxergar que a minha vida estava estagnada e que ou eu seria assim pra sempre ou eu mudava. Foi muito difícil, demorei um pouco para conseguir passar na prova, demorei para começar a ter clientes. Mas eu tive paciência e persistência. Sempre ouvi dizer que só consegue quem persiste.

Hoje eu concilio tudo. Sou aquela mãe que quando abre a bolsa cai brinquedo e coisas da filha. Outro dia fui doar sangue e quando abri a bolsa para entregar os documentos caiu um bonequinho em cima do balcão. Isso acontece porque meu dia é organizado de acordo com os horários da Isabela. Minha rotina inclui estar com ela sempre que posso.

Para isso uso agenda e despertador de acordo com os horários e compromissos. Os meus textos e postagens são escritos depois que ela vai pra cama, e são pré-programados para serem postados durante o dia. Atendo clientes e faço reuniões em horários que a Isabela está na escola ou algum curso. Se não tiver a possibilidade de ser quando ela está fora, ela vai junto. São reuniões marcadas fora de escritório, em restaurantes ou cafés. Assim ela come, desenha, brinca no meu celular, faz qualquer coisa, menos atrapalhar. Entre uma reunião e um cliente, a levo e busco nas atividades do dia.

Muitas mulheres não querem gastar seu dinheiro com babá e perua escolar. Além de não querer gastar, ninguém melhor do que a própria mãe para dirigir e cuidar. Profissionalmente falando, o melhor e mais prático seria fazer meu horário comercial longe dela. Mas como mãe, sei que a educação está mais de acordo com o que quero se eu acompanhá-la ao máximo.

Esse texto foi escrito na segunda-feira (e programado para hoje), nesse período, saiu a notícia polêmica da repórter no Egito que fez as entrevistas com seu filho no colo. Ela fez isso porque o filho estava doente e não tinha com quem deixá-lo. Não sei como é no Egito, mas aqui eu sei que quando a criança está doente a escola ou creche manda a mãe buscar. Muitas vezes eles nem aceitam que a criança entre na escola. Entendo a postura, já que pode transmitir a doença para outras crianças. Mas e a posição da mãe? Nem todas as mães podem ficar em casa, remarcar os clientes e as reuniões. Nem todas as mães tem alguém para cuidar do filho quando elas não podem. Essa mãe não foi só uma heroína dos tempos atuais, ela foi mãe, e que mãe não faria o mesmo? Quando eu digo mãe, incluo muitos pais aqui.

Ainda temos uma realidade para a maioria das mulheres em que elas devem optar por ser mãe ou ser uma boa profissional. Existe a barreira do mercado de trabalho em que o salário da mulher é inferior ao do homem. Por isso nos deparamos com a situação de escolher entre maternidade e emprego. Não é pra menos que a repórter egípcia foi considerada uma heroína, um símbolo. Nós mulheres temos que nos dividir entre ser mãe e empregada. E a divisão, além de injusta e mal feita nos impede de fazer bem feito qualquer dos papéis, pois quando estamos em um,  pensamos no que deveria estar sendo feito no outro.

Muitas mulheres acharam alternativas para conciliar maternidade e ajudar no sustento da família. Entre as seguidoras da minha página tem mães que fazem lembrancinhas para festas, doces, marmitas para entrega, costuram, vendem produtos ou dão aulas particulares. Cada uma cria, inventa e usa seus conhecimentos e habilidades para trabalhar com os filhos por perto. Foi através de exemplos de mães batalhadoras, criativas e corajosas que eu tive fôlego para levantar e começar a trilhar meu caminho profissional conciliado com a criação da Isabela. Sempre que você achar que não vai conseguir algo, procure alguém que conseguiu e faça igual, depois faça melhor, com o tempo você será tão boa no que faz que nem se lembrará que um dia teve medo de começar.

Link da matéria sobre a repórter egípcia:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150408_jornalista_egito_filho_colo_polemica_lgb

Página do facebook (que eu adoro) de mães empreendedoras:

https://www.facebook.com/maesnamassa

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