As crianças refletem a família

11101213_874835579248140_1366927543_nEsses dias a Isabela tinha que colocar na lição de casa qual foi a primeira palavra que ela disse. Quando ela me perguntou isso me passou um filme na cabeça. Ela bebê, fazendo sons sem sentido e tentando se comunicar. Entre as lembranças deliciosas, veio a lembrança do primeiro palavrão que ela disse.

Aqui em casa temos um hobby que é assistir jogos de futebol, e temos uma paixão que é o Guarani. Estávamos na sala, enquanto assistíamos o jogo, a Isabela engatinhava e brincava. De repente ela falou “pataliu”. Traduzindo, ela estava dizendo puta que o pariu. Ela não só falava isso, ela movia as mãozinhas como se estivesse xingando a TV e fazia cara de brava.

Ao me lembrar disso, passei a lembrar de todas as situações que ela me imitou. Frases que eu disse e ela repetiu, roupas e penteados que ela quis fazer igual, comidas que ela gosta porque me vê comendo, e por aí vai. E com isso surgiram as lembranças de como eu era antes de engravidar e comparei com o que sou hoje.

Muitos amigos dizem que eu mudei muito depois que a Isabela “me criou” – por isso o nome do Blog. Quando caiu minha ficha que eu era mãe, que aquele bebezinho dependia de mim eu me vi obrigada a virar adulta. No dia que aquele serzinho começou a me imitar em tudo, eu passei a ser um bom exemplo do que queria que ela se tornasse. Ok, eu falo palavrões quando estou vendo jogo, mas eu tento me policiar.

Eu não bebo bebidas alcoólicas na frente dela, não quero que ela associe o cheiro de bebida ao colo de mãe e nem a imagem de que para se divertir precisa de um copo na mão. Eu procuro ler, conversar e incluir ela em tudo o que faço. Eu conto tudo o que vejo de legal na minha vida e na vida dos outros. Procuro sempre mostrar o lado positivo de tudo, para que ela veja o lado bom e se torne alguém do bem.

Lendo isso parece que foi super fácil: Teste positivo, nenê na barriga, uma palavra mágica e eu sou um ser perfeito. Nada disso, escorrego muito. Eu e a Isabela temos longas “DRs” – sabe, que nem casal que discute o relacionamento? Então, a gente também conversa muito sobre nossa relação de mãe e filha. Já falei e fiz muita besteira para ela ou perto dela e depois tentei corrigir ou voltar atrás. Mas ser mãe é assim, a gente erra, acerta, tenta de novo e sempre acha que precisa melhorar algo. O importante é nunca desistir de tentar ser o melhor para os filhos.

O que me fez crescer foi ter esse “espelho com gravador em casa”. A Isabela não só repete, reflete e joga na minha cara tudo o que faço de bom e de ruim. Os filhos nos dão “feed backs” e “flash backs” o tempo inteiro. Se prestarmos atenção neles, no que fazem, falam e em como eles reagem à tudo, vamos ver como somos. Principalmente nos primeiros anos de vida, em que a vida social deles somos nós e a nossa vida. Depois eles vão criando a independência, os amigos, a personalidade individualizada, aí fica mais difícil ver nosso reflexo neles. Mas no começo eles copiam muito, até nosso jeito de andar.

Eu percebi que eu não tinha paciência com as pessoas quando vi a Isabela ser pavio curto. Mudei isso e ela mudou também. Qualquer hábito novo demora muito. Parece impossível aprender a controlar a raiva ou a paciência com as pessoas. Passei a comer legumes e verduras para poder por no prato dela, eu ainda me forço a comer de forma saudável (mas ganhei mais qualidade de vida).

Outra coisa que aprendi e que eu achava que seria impossível. Sempre fui desorganizada e nunca cumpria prazos, horários e regras. Quando a Isabela nasceu eu tive que aprender a ter horário para tudo, inclusive para alimentá-la, já que ela não queria mamar nunca e eu tinha que forçar um pouco. Comecei a ser tão regrada que hoje nós temos regras e horários de forma que não perdemos nenhum compromisso. Ela aprendeu desde cedo a ser responsável, só me imitando e me observando.

Tudo que eu ensino ela a fazer é com o meu exemplo, com isso me tornei melhor, mais calma, mais saudável, mais responsável e aprendi a ouvir. Quando ela aprendeu a falar, eu tive que aprender a conversar com ela, na linguagem simplificada e usando analogias com coisas infantis, com isso temos uma relação de amizade.

Se eu quero que ela mude algo, primeiro eu vejo se eu que levei ela a ser assim, se eu que dei o exemplo. Se o erro começou em mim eu falo para ela que eu preciso mudar uma coisa e preciso da ajuda dela. Começo dando o exemplo. Se o erro é dela, eu mostro o certo para que ela possa entender e imitar.

Um grande segredo para conseguir mudar os hábitos é pedir ajuda de pessoas próximas. Hoje, a Isabela já tem 7 anos, então ela me ajuda com as mudanças que preciso. Peço a ela que me aponte e mostre o que fiz de errado. Crio uma relação em que antes dela reproduzir meus erros, ela pode ser meu espelho em casa. Assim, ela me aponta o que fiz. Ela consegue se sentir confiante para respeitar minha autoridade de mãe enquanto tem a liberdade para me ajudar a crescer. Ensinei a ela que erro (e muito), que não sou perfeita, mas que faço sempre o melhor que posso e dou o máximo de mim para que ela se torne um adulto com os valores que eu acredito serem importantes. Mas só enxerguei tudo isso porque prestei atenção no que ela refletiu.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: