Pós Páscoa e os chocolates

Alguns dos nossos doces da Páscoa
Alguns dos nossos doces da Páscoa

A Páscoa acabou e os chocolates invadiram as casas. Muitas mães reclamam que seus filhos não têm o menor controle quando estão comendo doces. Mas quem tem? Até hoje minha maior dificuldade é parar de comer chocolate. Não preciso parar para sempre, só parar quando começo. Parece que enquanto não acaba eu não fico saciada, mas aí entra o auto controle.

Lógico que com crianças é igual mas mais difícil. Como ensinar que não podemos comer até acabar? A Isabela ganhou mais de 13 presentes de chocolate. Não posso esperar ela devorar esses 13 ovos (sem contar recheios, variedades e pesos) para que ela saia da mesa. Preciso fazer com que ela saiba comer um pouco por dia. Precisamos de auto-controle ou de mãe no controle.

Muita gente fala que minha vida como mãe é fácil porque a Isabela é obediente e educada. Quando eu vejo que a pessoa só está falando isso para justificar que ela não quer educar o filho e temos que fingir que a culpa é da sorte, eu só concordo. Mas, quando ouço isso de mães que estão querendo ajuda, eu as conto o que faço. E hoje vou contar como ensino a Isabela a se controlar com doces.

Primeiro que eu nunca proibi doces em casa, mas também nunca os incentivei a fazer parte da nossa dieta. Eles nunca foram dados como prêmios e eu nunca a privei de comê-los como forma de castigo. Usamos doces quando vamos celebrar algo, comemos de sobremesa e quando estamos a fim. Sempre em quantidades suficientes para nos fazer feliz e não nos deixar com dor de barriga. O doce é algo normal na nossa vida.

Temos um pote de doces do qual ela nunca pega sem pedir antes e tem horários que pode comer. Se pegar escondida ou me desobedecer eu tiro do alcance dela e não deixo comer por uns dias. Nesse caso, o doce em si não é um castigo, é o objeto da falta de respeito à regra, então é ele que tem que ser tirado de circulação até a regra voltar a ser respeitada.

Quanto ao fato de acharem que ela só obedece porque somos iluminadas por Deus, eu conto aqui que ela já chorou muito, já fez muita birra, já disse muito que sou uma mãe má. Quando isso acontece, eu olho nos olhos dela e falo que falar assim comigo me magoa. Sempre explico, quantas vezes forem necessárias, os motivos dos doces não poderem ser comidos o dia todo. Falo o quanto eles são gostosos e que se fizessem bem eu daria com maior prazer. Mas que só podemos comer sempre porque sabemos nos controlar. Se comermos em excesso começará a fazer mal pra saúde e aí teremos que comer muito pouco ou quase nunca.

Uma situação comum é a dos parentes que insistem que criança é obrigada a se entupir de doces. Você está no almoço de família e servem a sobremesa. Seu filho já comeu e continuam colocando mais no prato dele. Você diz que é melhor parar. Diante da insistência, não ceda! Mesmo que eles digam na frente do seu filho que você está sendo uma mãe cruel, exagerada e que digam coisas horríveis, como já fizeram comigo.

O que fiz e faço é responder olhando pra minha filha (e não para a pessoa). Digo que cruel e maldoso é quem não se preocupa com a saúde do filho e não liga que depois ele sinta dor de barriga. Falo para a Isabela parar de comer. Se ela insiste, repito com a voz firme que já comeu muito e a tiro de onde estão os doces.

Quando alguém dá doce escondido para ela e diz para não me contar, ela me conta. Não só porque ela é muito honesta, mas porque conversamos muito sobre isso. Nenhuma proibição surge do nada. Tudo é muito bem explicado. Se ela aceita algo escondido que dá para guardar, eu guardo para ela comer depois. Mas se aceita algo escondido e come escondida, tem consequências. Eu nunca brigo com o adulto que deu a coisa, mas sim com ela que aceitou. Ensino minha filha que ela que tem que aprender a se controlar e recusar o que não pode.

Com os ovos de Páscoa estamos comendo um pouco por dia. Eles começaram a surgir em casa na quarta-feira. Estamos usando de sobremesa e para comer depois da fruta na escola. Um pouco cada vez que come, sempre dividindo com todos que estão por perto. Sempre fica aquela vontade de quero mais, mas ela sabe que depois comerá novamente, por isso que nunca insiste quando acaba a quantidade estipulada para o momento.

O importante nisso tudo é não ficar com regras mal explicadas ou mal aplicadas. Você diz para seu filho que ele não pode comer, mas diante da primeira insistência dele ou dos parentes você dá o doce. Assim passa a mensagem que o que você proíbe não tem problema ele fazer. Se seu filho faz birra, chora, te xinga ou te desobedece, não é motivo para você voltar atrás do que disse. Converse com ele, tente quantas vezes forem necessárias, entenda que cada criança aceita as coisas de um jeito. Cada um funciona com uma forma de abordagem, você só precisa se ajustar a qual funciona melhor com seu filho. Mas todo ser humano só obedece regras e autoridades que fazem sentido e que se mostram firmes. Seu discurso tem que condizer com suas atitudes, se você diz que doces em excesso faz mal, não coma em excesso na frente das crianças. Suas regras só funcionam se você for o primeiro a obedecê-las.

Um comentário em “Pós Páscoa e os chocolates

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  1. Malu,
    Texto EXCELENTE!!!!!
    Ele é um texto muito mais sobre “Regras e Limites” do que sobre Páscoa e chocolates!!!
    Parabéns pela educação que você dá pra Isa!
    Como educadora que sou, não tenho mais nada a complementar.
    Seu exemplo mostra que pra educar filhos não é preciso nenhum curso de pedagogia ou psicologia, mas apenas amor, bom senso e coerência!!!!

    Curtido por 1 pessoa

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