Superamos um trauma!

11086958_869276729804025_1324548969_nQuinta-feira passada a Isabela caiu da cama enquanto dormia. Não foi uma simples queda. Ela caiu de cabeça. Um barulho muito alto seguido de um berro e um choro daqueles que causam falta de ar. Acalmamos ela e a deixei um pouco no colo do avô (no caso dela, esse é o remédio para qualquer dor).

Como todo entendimento que tenho em medicina são as dicas do Dr. Drauzio Varella na televisão (que era só o cara do livro Estação Carandiru, mas aí tive uma filha e comecei a prestar atenção nos conselhos dele). Meu pai ficou com a Isabela verificando se a pancada afetou algo, como o Dr. Drauzio ensinou. Na manhã seguinte pedi para a professora ficar observando se acontecia algo de diferente por conta da pancada. Tudo certo, nada sério, só muita dor. Dos males, o menor.

A Isabela sempre se machuca, raramente são grandes sustos. Geralmente são coisas bobas, como por exemplo o dia que chegou um bilhete da escola que a boca dela sangrou porque ela bateu o próprio joelho no dente. Ou como ontem que estávamos vendo televisão juntas e ela derrubou o Ipad no próprio nariz. São sempre situações que rimos muito, enquanto em meio a gargalhadas ela fala “mas sério, ta doendo”. Dessa vez foi sério, depois rimos, ela riu, mas foi uma pancada forte e um galo grande.

Nasceu um novo medo. Na noite seguinte a Isabela não queria ir dormir. Ela me disse que estava com medo de cair e se machucar e pediu para dormir comigo. A princípio pensei que seria uma ótima ideia colocá-la na minha cama. Ela se sentiria protegida e seria confortável pois há espaço suficiente para nós duas. Mas pensei melhor e achei que ela podia criar problemas para voltar a dormir sozinha no próprio quarto. Então combinei com ela que nós duas dormiríamos juntas no quarto dela quantos dias ela precisasse para entender que não tem perigo.

Mas o medo não era só de dormir. Ela também não quis encarar a cama. Outro combinado, ela ia dormir na cama de baixo e eu ia dormir na cama dela. Assim, enquanto se sentia em segurança próxima ao chão,  ela via que não tinha problema nenhum com a cama. Resolvido o problema. Duas noites seguidas eu fiquei lá deitada esperando ela dormir. Das 20:30 em diante. Fiquei sentada na cama, jogando todos os jogos possíveis no celular para ela não ficar sozinha no quarto.

No domingo, quando vi que ela estava confiante com o quarto, e com o fato de que dormir não é perigoso, propus que ela dormisse na cama dela e eu dormisse na cama de baixo. Foi difícil convencê-la, mas conversamos um pouco e ela acabou aceitando. Segunda-feira eu estava com dor nas costas de dormir naquela caminha de baixo, e piorou no dia seguinte, pois tive que dormir ali mais uma noite.

Na terça-feira, com as costas doloridas e o pescoço travado encostei a cama dela na parede. Para isso tive que terminar de destruir as costas remanejando muitos móveis (para quem pensa que amor de mãe supera a dor, tomei analgésicos). Tirei uma poltrona do quarto dela para que houvesse espaço para a cama na parede. Coloquei a poltrona na minha sala (que fica ao lado do quarto dela, até aí, só arrastar empurrando). Para caber a poltrona na sala, tive que chamar a faxineira e pedir ajuda. Descemos um sofá para o andar de baixo da casa, subimos outro, e junto com o meu pai desci mais um sofá. Móveis remanejados, espaço otimizado, costas inutilizadas.

Mas a dor e o torcicolo valeram a pena. Na terça-feira a noite a Isabela aceitou o desafio de dormir sozinha em seu quarto, em sua cama. Quando ela disse que estava com medo de cair eu pedi que ela encostasse na parede que ficava longe da beirada. Resolvido, superamos um trauma com sucesso! Na manhã seguinte a parabenizei e ela se sentiu muito orgulhosa de ter conseguido vencer o medo. Ela disse que acordou algumas vezes durante a noite e colocou a mão na parede só para ter certeza que não iria cair.

Podemos nos iludir com um caminho que parece mais fácil. Eu poderia colocar ela na minha cama uns dias, dormiríamos tranquilas e eu ia achar que tudo está normal. Teria poupado as dores físicas e não teria perdido uma manhã trocando móveis de lugar. Depois eu ia ver que regredimos para a fase do dormir com a mãe. A longo prazo, o que eu teria resolvido? Nada, o medo ia continuar ali sem ser enfrentado. Seria o caso de que minha filha tem um trauma e eu escolhi um atalho que me pareceu mais carinhoso e menos dolorido para ela.Com o tempo eu teria outro grande problema, além do medo, teria que ensinar de novo a ela como a dormir sozinha.

Finalizo com um trecho sobre o que fazer quando a criança bate a cabeça, retirado do link http://drauziovarella.com.br/crianca-2/acidentes-com-criancas :

Drauzio – Quando você diz “observar a criança” que bateu a cabeça, quais são os sinais de alerta que indicam a hora de procurar socorro imediatamente?

Denise Katz – O sinal mais importante é o vômito. Vomitou nas primeiras 24 horas depois do acidente, os pais devem levar a criança para o hospital, uma vez que isso pode ser uma manifestação precoce de complicações como fratura, sangramento e elevação da pressão intracraniana.

Outra medida importante é não deixar a criança dormir. Criança que bate a cabeça, em geral, chora muito e depois sente sono. Como a sonolência pode ser um sinal de que tenham ocorrido lesões mais graves, o ideal é manter a criança acordada. Se não for possível, ela deve ser despertada a cada 15, 20 minutos para ver como reage quando conversam com ela ou lhe perguntam alguma coisa.

Drauzio – Quanto tempo é razoável deixar a criança dormir depois que bateu a cabeça e chorou muito?

Denise Katz – Duas horas, mas interrompidas a cada 15, 20 minutos para ver se está tudo bem. Criança que não responde a estímulos, não acorda de jeito nenhum, está mais endurecida (hipertônica) e cujos olhos parecem ausentes, está exteriorizando sinais neurológicos indicativos de que precisa ser levada ao pronto-socorro imediatamente.

Drauzio – Vamos imaginar que a criança caiu e bateu a cabeça no sábado ao meio-dia. Quando os pais podem ter certeza de que nada de mais grave aconteceu?

Denise Katz – Depois de 24 horas de observação; portanto, no domingo ao meio-dia.

Drauzio – E se, na segunda-feira de manhã, ela vomitar?

Denise Katz – Nesse caso, é bom que a criança seja examinada minuciosamente pelo pediatra ou por um neuropediatra. Dependendo dos sinais clínicos instalados, pode ser necessário encaminhá-la para uma tomografia.

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