Eu, Isabela e o dia da mulher

11042286_856692791062419_2043319223_nExplicar para a Isabela sobre o dia da mulher foi uma tarefa difícil. Sempre procurei dar uma criação feminista para ela. Mesmo o mundo caindo na cabeça dela com mensagens machistas e censuras contra tudo o tempo todo. Sempre estou ali, mostrando para ela que não pode aceitar que impeçam algo sob o argumento de que meninas não podem fazer isso ou aquilo.

Hoje resolvi pedir ajuda dela para montar um texto sobre o dia da mulher. Expliquei o motivo histórico da data, falei sobre mercado de trabalho, fiz comparações com a escola e os colegas dela. Mostrei nas atividades e brinquedos as diferenças que a sociedade impõe entre meninos e meninas e perguntei o que ela achava disso.

Claro que ela se revoltou. Ela gosta de tudo. Por exemplo, no Natal pediu para o Papai Noel um Skate e de aniversário me pediu um bat-móvel. Uma das três atividades esportivas que ela pratica é o futebol (as outras duas são consideradas de meninas, então não cabem aqui).

Nem sei quantas vezes ela já criou caso no Mc Donalds. Sempre igual, a gente pergunta qual o brinquedo do mês, eles mostram as opções de meninas e vem a expressão brava da Isabela com a pergunta seca: “e para meninos o que tem?”.

Com essa segregação desde pequenininhos colocamos o machismo no berço, amamentamos, trocamos sua fralda, ensinamos a engatinhar e quando vemos, ele está livremente andando pela sociedade recriminando e oprimindo.

Como mulher, não é isso que quero pra mim. Como mãe de menina, não é isso que quero para minha filha. Como ser humano não é isso que quero para o mundo. Mas em uma sociedade machista, quando não deixamos o machismo ser criado no berço de nossos filhos, ele tenta entrar, como um vírus. Parece a dengue, ele entra na sua casa sem que você queira. Você cuida do seu quintal, mas se o seu vizinho não cuidar do dele e o mosquito reproduzir ali, pode ser que voe pra sua casa. Temos que impedir que nossos filhos sejam bombardeados com conceitos machistas dentro das famílias, dos programas de TV, das propagandas, e por aí vai. Não precisa censurar a TV e a Internet, basta ensinar.

Eu me pego em encruzilhadas diversas vezes. Um dia, saindo do treino de futebol ela me perguntou se podia tirar a blusa. Eu falei que não porque ali a maioria era meninos e ela precisava entender que muitos ali faziam grandes diferenças entre ela e os meninos. Ela me olhou com um ar de quem não acreditava no que ouvia e falou indignada:

– mãe, eu nem tenho peitão! Olha – me mostrando – quando eu tiro a blusa, eu sou igual eles! vai ser diferente só quando eu crescer!

Eu me senti um lixo, pior mãe e pessoa mais mentirosa, falei algo contra tudo o que acredito. Não justifica, mas era o primeiro dia dela ali e eu já tinha ouvido tanta coisa de outros pais sobre ter uma menina no futebol que eu estava exausta e não queria mais criar caso. Ainda estamos conquistando território e não quero chegar causando. Ela ainda não se ligou que muitos ali estranham a presença dela. Para ela é engraçado quando algum menino fala algo sobre ela ser menina e jogar bola, não faz sentido e ela ri.

Conversamos um pouco sobre a realidade dela: menina, 7 anos, pode ou não pode brincar, praticar esportes e sonhar? Achei interessante o impacto que foi na hora que eu disse que a Dilma foi a primeira Presidente mulher. Para ela, mulheres podem tudo e é normal poderem.

Coloquei a foto com o cartaz (ideia dela, a foto e o cartaz) para ilustrar a mensagem que quero deixar para todos os que exercem o papel de mãe. Quer acabar com o machismo? Comece na sua casa, ensinando seus filhos que eles podem tudo. Meninos e meninas podem escolher seus brinquedos, suas brincadeiras e suas fantasias. Quem cria as crianças são os adultos. Nós escolhemos os valores que serão passados adiante.

Hoje desejo um feliz dia da mulher para todos aqueles que estão na luta pela igualdade. Recebam flores como símbolo de reconhecimento da luta. Qualquer outro motivo, beleza, fragilidade, perfume, e outras idiotices que ouvimos nesse dia, mande quem te deu a flor se espetar no espinho da rosa.

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