De onde vêm os bebês?

Já tem um tempo que a Isabela vem me questionando sobre de onde vem o bebê. Eu sempre acreditei que temos que ser sinceros com as crianças, que não devemos inventar histórias ou ficar dando voltas. Mas como saber até onde ela compreende e até onde eu devo explicar? Qual a linguagem que devo usar?

A curiosidade dela surgiu depois que algumas crianças começaram a falar sobre isso na escola. Para quem acompanha a página no facebook, todos os dias eu coloco algo que conversamos ou que ela falou, como são muitas coisas para postar, vou programando uma por dia, e essas sobre sexo e bebês serão postadas somente mês que vem, mas já adiantarei algumas por aqui.

A primeira dúvida da Isabela surgiu quando um amigo disse que se tomar um chute no “saquinho” (palavras dela), ele não poderá ter filhos quando for adulto e casar. Expliquei que era ali que ficava guardada a sementinha do homem. (Ela já sabia que o homem coloca uma sementinha na mulher). Ela achou aquilo esquisito e engraçado e riu muito. Em um outro dia, ela veio querer saber se fazer filho era com ou sem roupa, porque os amigos falaram disso na escola. Falei que era sem roupa e ela falou que isso deve dar muita vergonha. Nas duas vezes ela mesmo mudou de assunto e eu não retornei nele.

Aprendi com uma amiga pedagoga, a Lílian Camargo, que sempre me ajuda nas dúvidas que surgem com a criação da Isabela, que primeiro devemos devolver a pergunta. Devemos perguntar o que eles acham que é, e sondar, para saber de onde eles ouviram e do que estão falando, pois muitas vezes, achamos que é um assunto e é outro. A clássica história, que já ouvi em muitas versões, de que a criança pergunta o que é virgem, e após uma aula de sexo ela pergunta “mas então, por que o azeite é virgem?”.

Assim que eu soube o contesto das perguntas, e de fato, a Isabela quer saber mesmo, como que entra uma sementinha na mulher, nas palavras dela “o homem beija a mulher e sobe a sementinha lá de baixo”, e na cabecinha dela, com razão, isso não fez sentido.

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Coleção de livros que usei para explicar para a Isabela. Coleção Sexo e Sexualidade, autora Cida Lopes, Ed. Brasileira.

Como eu sou péssima em anatomia humana, palavras técnicas e delicadeza, estudei e pesquisei uma forma de explicar e conduzir essa conversa. Minha cunhada, outra que também sempre me salva, me emprestou uma coleção de livrinho que é ótima. Explica diversas coisas, como que o bebê sai do pai para a mãe, como que é a gravidez, e fala até de assuntos que ainda não estão na hora de falar com a Isabela, como o prazer do corpo e a puberdade.

Confesso que esse assunto, que para mim sempre foi muito natural, está sendo um tabu para explicar para minha própria filha. Sempre acreditei que tinha que ser muito sincera nesse tema, minha mãe foi assim comigo. Lembro que aos 7 anos de idade, assisti ao filme “Olha quem está falando” e quando apareceram os espermatozoides correndo para o óvulo, eu perguntei o que era e minha mãe me explicou. Mas acho interessante como o sexo é um tabu, muita gente me fala que se eu falar sobre isso, vou estar estimulando o sexo na cabeça da minha filha.

Na minha vida foi assim, eu aprendi mais nova que ela sobre isso, minha mãe sempre respondeu minhas perguntas e nem por isso fui despertada cedo para o sexo. Aliás, isso não muda muito nesse ponto, na adolescência tive amigas que sabiam tudo de sexo na teoria e na prática, outras só sabiam na teoria e outras só na prática. Ou seja, muitas iniciaram sua vida sexual cedo, por curiosidade e sem ter a menor noção sobre gravidez, DST ou prevenção.

Um assunto não puxa o outro, como o bebê entra na mãe é pura ciência e dá para ensinar de forma didática e separada. Foi para isso que me preparei para conversar com ela, sobre o corpo humano e não sobre os prazeres do sexo. Iniciamos a conversa, mostrei figuras de onde sai o espermatozoide, como ele entra e chega no óvulo e o que acontece com ele. Mostrei como o bebê nasce e a conversa foi super tranquila. Falei da importância da higiene e de que o corpo tem que estar pronto para isso, que os adultos fazem isso quando têm muita intimidade, pois há risco de doenças e eles precisam saber se cuidar e que quando ela for adulta ela vai saber quando estará pronta.

Ela entendeu tudo, e quando eu perguntei se podia acabar o assunto, ela disse que tinha uma dúvida, como que gay faz sexo. Eu apenas respondi que eles não têm como fazer filhos. Não teve constrangimentos, a conversa fluiu muito naturalmente e limitada ao que ela compreende. Acredito que a informação correta é melhor que a informação “catada” com amigos na escola. Aconselho as mães, esperarem seus filhos chegarem na curiosidade e conversarem abertamente. Foi assim que minha mãe fez comigo e é assim que eu fiz com a Isabela.

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