Não fale com estranhos

Esse final de semana fomos em uma festa junina grande e lotada. Isso significa muitas brincadeiras, comidas típicas, danças e, é claro, medo de perder o filho, cuidado extra e criança perdida.

No final da festa uma amiga da Isabela veio brincar com ela, como eu vi que ela estava sem os pais, perguntei por eles. Ela disse que eles estavam sentados e que ela sabia voltar até eles. Achando que estava tudo bem deixei as duas brincando, nos sentamos para fazer a oração, ver acender a fogueira, vimos os fogos. Até que tudo acabou e ela foi encontrar os pais.

Quando fui conferir se ela os encontrou, a mãe dela estava chorando porque ficou quase duas horas procurando a filha. Ela não sabia que a filha estava comigo. Claro que me senti culpada, eu podia ter enviado uma mensagem pelo celular só para avisar que estávamos juntas, mas na hora achei que estava tudo certo.

10477619_716725575059142_921995391_nFica difícil controlar uma criança pequena no meio da multidão, o jeito é não soltar da mãozinha dela pra nada. Vale explicar ao máximo que não pode sair de perto e ficar de olho o tempo inteiro.

Quando eles são um pouco maior tudo fica mais fácil de explicar e mais difícil de controlar. Como essa amiga da Isabela que não sabia que estava perdida. Como ela disse para os pais que já voltava e sabia onde eles estavam, para ela estava tudo bem. Para os pais que perceberam que o “já volto” durou duas horas, não estava nada bem.

Conhecendo a família, eu sei que ela é alertada sobre todos os perigos de sair de perto dos pais em locais assim. O problema é que não teve maldade, ela realmente achou que não tinha problema em ficar lá com a gente. Fica difícil mostrar para a criança que está errado, ela entendeu de um jeito e a mãe de outro. Para ela, estava claro que ela ia brincar e quando cansasse voltaria para os pais. Para a mãe, ela só ia sair de perto um pouco e já voltava.

Acho que nesses casos o melhor é combinar muito bem antes. Repete várias vezes o combinado e pergunte se a criança entendeu. Quando ela falar que vai até ali e já volta, fale para a criança que é só até ali e que, se você for lá e não a encontrar no local combinado ou, que se ela demorar para voltar vocês vão embora. (juntas, nunca diga para seu filho que você vai abandoná-lo).

A Isabela falou pra mim que não se perdeu porque tinha medo de sair de perto de mim e nunca mais me achar. Ainda me disse que também tinha medo porque sabia que se ela saísse para brincar sem me avisar nós iríamos embora na hora. Iríamos mesmo, temos essa regra de que se não sabe se comportar do jeito que ensinei, volta pra casa e só vai em festas assim de novo quando passar a usar o que aprendeu. O mesmo vale para visitar amigos ou traze-los em casa, se fez algo muito errado sabendo o certo, fica sem poder fazer uns tempos até mostrar que vai usar o que ensinei.

Como eu faço para que ela fique perto: primeiro eu falo a real, falo que tem gente que sequestra ou rouba a criança. Falo que não dá para saber quem é legal e quem não é, porque as vezes a pessoa tem cara de boazinha, tem papo legal e no fundo só está enganando a criança para tirar ela de perto dos adultos.

Além disso, eu sempre combino um ponto de encontro. No caso dessa festa junina combinamos que se ela se perdesse era para ir até o palco me chamar no microfone. Eu também iria para o palco para chamá-la, com isso as chances de nos encontrarmos no palco seriam grandes. Sempre explico para ela que ficar andando e procurando a mãe pode fazer com que ela se perca mais ou dificulte para eu achá-la. Principalmente porque geralmente somos só eu e ela, então é só um adulto para procurá-la.

Recebi um conselho ótimo esse final de semana. Uma mãe falou para mim que nós temos a mania de conversar com todo mundo. Se nos sentamos em um show e uma pessoa puxa assunto, logo engatamos no maior papo. O filho está do lado só percebendo que se a mãe conversa tanto com essa pessoa é porque a conhece. Mas e se essa pessoa só está se aproximando para chegar na criança? Não tem como saber. Um descuido nosso e a pessoa pode atrair a criança para longe, e a criança confia nela, já que ela é “amiga” da mãe.

A Isabela uma vez me alertou para isso. Estávamos esperando a balsa para ir para a Ilha Grande, em Angra dos Reis – RJ. Um homem se sentou ao meu lado e puxou conversa. Começamos a falar sobre a demora para chegar a balsa, sobre o tempo, conversas de quem está entediado e sem assunto.

Quando estávamos só eu e a Isabela na balsa, ela me perguntou como que eu sei se a pessoa é boazinha ou não. Eu falei que nunca sei, e que só converso o essencial, não conto nada sobre minha vida pessoal e não dou confiança, apenas sou simpática. Falei para ela que não podemos confiar se acabamos de conhecer. Pedi para ela não conversar com estranhos, apenas tratar as pessoas bem.

Agora fico pensando se devo continuar fazendo amigos na fila do supermercado e me atentar mais em como ela entende isso ou se devo parar com essa mania de falar com estranhos. De fato meu discurso está indo contra o que faço na prática e por mais que eu explique para ela, me dá medo dela achar que pode falar com qualquer um.

Coloco aqui esses dois vídeos que mostram a importância de conversar com os filhos sobre o assunto. Além disso mostram como todo cuidado é sempre necessário. Eu os mostrei para a Isabela e achei que o resultado foi produtivo, ela não está mais conversando com qualquer um. O Primeiro vídeo é uma campanha da Malásia, o segundo é uma experiência social em um parque.

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