Hábitos de Estudos

Featured imageA escola da Isabela tem semana de provas. Eu acharia isso um absurdo e falaria que a escola é muito puxada. Ok, eu confesso que falo isso para várias mães que me perguntam se indico a escola. Não que eu faça propaganda contra, só alerto. Falo o que penso: eu adoro lá, confio muito em tudo o que eles fazem, mas acho que tem criança que não dá conta de acompanhar.

Mas a Isabela é o tipo de criança que quanto mais lição de casa e mais coisas para estudar, mais ela se diverte. Todos os dias temos que ler algo ou debater o que foi falado em sala de aula. Isso porque ela quer e não porque a escola pede. Então, a semana de provas está sendo como ir ao parque todo dia. A gente termina de estudar e ela fica brincando de escola sozinha revendo o que estudamos.

Como eu não sei se isso é hábito ou se isso nasce com a pessoa. Vou dar uma dica que fiz aqui em casa e deu certo, talvez por sorte, talvez por ter feito assim. Desde a primeira lição de casa, lá no infantil I, aquela lição que era só desenhar, pintar, rabiscar, fazer qualquer coisa. Quando a lição chegava a gente lia juntas e eu já falava coisas que a animasse, do tipo “nossa, que lição divertida” ou “você já está aprendendo isso, que legal!”.

Ainda faço isso e noto que ela se sente muito importante quando eu mostro que a lição é interessante. Desde lá, eu já fazia a Isabela sentar sozinha na escrivaninha, em silêncio, com todo o material necessário para executar a tarefa. Ao acabar ela me mostrava, eu elogiava, ela guardava e pronto.

Assim, todos os dias, no mesmo horário, há quatro anos ela tem essa rotina. Quando ela não entende um exercício, ela leva a lição onde estou e eu peço que ela leia o exercício em voz alta. Se nem assim ela entende, eu leio para ela. Explico, ela entende e volta para a mesa dela. Quando termina tudo, eu corrijo. Caso tenha algo errado, primeiro tento fazer ela achar o erro, se ela não acha eu mostro, assim que ela entende, ela refaz.

Sempre que ela termina todo o processo de lição de casa e guarda todo o material escolar eu elogio a lição, a letra, o capricho, qualquer coisa envolvida na tarefa. Procuro variar o elogio, procuro elogiar coisas que na lição anterior não tinha ficado tão legal e mostro como melhorou.

Tem criança que não se concentra com facilidade. Não adianta querer amarrar seu filho na cadeira. Mas dá para preparar o ambiente. Diminuir as distrações em volta dele. A foto que eu coloquei no post é da escrivaninha da Isabela. Ela é cheia de fotos, canetinhas coloridas e enfeites. Se o seu filho se distrai com facilidade, não deixe essas coisas na mesa de estudos.

Uma boa ideia para que ele não fique levantando no meio da tarefa é falar para ele ir ao banheiro e beber água antes de sentar, assim ele não terá a desculpa da sede ou do xixi. Se a criança é ansiosa, faça algo relaxante antes, diminua a ansiedade. Deixa-a em paz para que ela possa estar com a mente tranquila para estudar.

Nunca trate o estudo como castigo ou punição, pois seu filho pode começar a achar que estudar é consequência de atos ruins. Faça ele ver as vantagens de estudar. Se ele não está se interessando ou não está conseguindo se concentrar, mude o método de estudo. Veja se não é a escola, ou o método da escola que não está sendo difícil para ele. Procure ajuda de profissionais que possam te ensinar como fazer com essa criança em particular. Conversar com quem entende do assunto pode te mostrar exatamente o que seu filho precisa.

Existem diversos métodos de ensino e em algum deles a criança irá se adaptar. Existe, por exemplo, Waldorf, Construtivista, Montessoriana, Pragmática e Tradicional. Ainda pode-se escolher uma escola de acordo com a sua religião. O importante é se atentar para sua escolha, afinal, a escola e a família devem ter os mesmos valores para não gerarem conflitos para a criança. Muitas vezes o fato dela estar deslocada, desinteressada ou excluída é por esse conflito de que na escola aprende uma coisa e em casa aprende outra completamente diferente. Quando um contradiz o outro, a criança se perde sem saber qual seguir. Por isso que a escola tem que ser uma escolha muito bem pensada da parte dos pais. Tudo funcionará melhor se ambos estiveram em harmonia. É importante que os pais se interessem e participem da escola.

Se você não procurar cuidar dos hábitos de estudos do seu filho desde pequeno, ele vai crescer com essa dificuldade e nunca vai entender como estudar, como aprender. As dificuldades só irão aumentar e com isso ele perderá o interesse em aprender. Ninguém precisa gostar de estudar e muito menos ficar horas com os livros. Só precisa achar a forma que o faz entender o que estão ensinando. Cada um aprende de um jeito.
Uma coisa que eu noto na Isabela é que se ela não entende a lição ela fica com raiva e não quer fazer. Ela inventa que está com dor de barriga ou começa a ficar muito irritada. O primeiro sinal de que ela não entendeu é que a letra começa a ficar relaxada e sem capricho. Eu ainda estou tentando achar uma forma de trabalhar com isso. O que venho tentando fazer é sentar com ela e explicar muitas vezes a mesma coisa de diferentes jeitos. Ainda não achei qual a melhor forma que ela me entende.
Pra piorar eu não tenho muita paciência para ensinar. Está sendo uma grande dificuldade para mim também. Estamos trabalhando juntas nessa parte. Vamos ver se vai dar certo, por enquanto foram poucas vezes e passaram rápido. A dificuldade maior das lições ainda está por vir. Por enquanto eu sei ensinar o que ela está aprendendo. Quero ver quando vierem aquelas complicações de física, química e outras matérias que eu nunca entendi. Ainda bem que inventaram o professor particular.
Por enquanto, notei que quando a dificuldade é grande, quando ela tenta muito, e finalmente entende,  ela fica muito feliz e volta a caprichar na letra. E é essa alegria que ela sente ao superar a dificuldade que a motiva a querer aprender mais. É a sede de saber que temos que buscar nas crianças. Mas cada uma tem o estímulo de uma forma. Eu acho que a melhor forma é menos livro e mais brinquedo. Eu sempre procuro fazer alguma relação do que a Isabela está aprendendo na escola com o que estamos brincando, conversando ou vendo na TV. Dá certo e ela vê motivos práticos para aprender as coisas.
Finalizo o texto com o link do Blog Ser Mãe é Padecer na Internet, que tem uma entrevista com o psicólogo português Eduardo Sá. A entrevista é muito interessante, e deixo como mantra, não só para crianças, mas para nós adultos, a frase dita pelo psicólogo: “brincar é um patrimônio imaterial da Humanidade e quem não brinca não pensa nem aprende”.

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