Por que não aprendemos a errar?

Tenho reparado que quando chamo a atenção da minha filha por alguma coisa que ela fez de errado, ou quando ela apronta algo, sempre recebo como resposta uma justificativa. É incrível como desde pequenos aprendemos a “tirar o nosso da reta”. As desculpas são sempre as mesmas: “Fulano que mandou” ou “Ciclano fez primeiro”.

Ontem ela teve a primeira prova na escola. Quando ela chegou em casa ela estava muito brava com a professora. Depois de conversar muito entendi que ela estava brava porque ela errou um exercício, e para ela, a culpa não era dela, era da professora.

Eu acredito que as pessoas aprendem por imitação. Comecei a procurar onde a Isabela está aprendendo que não erramos. Foi quando percebi que vivemos em um mundo em que ninguém erra. Errar é feio e sempre temos um bom motivo para ter cometido o erro.

Estamos sempre nos justificando. Temos vergonha quando erramos e se pudermos jogar a culpa em alguém logo fazemos isso. Passei então a reparar nos meus erros. Não encontrei nenhum. Todos foram causados por outras pessoas. Até os erros de digitação são causados por culpa do corretor que não fez o papel dele.

Quando pegamos a fila errada no banco a culpa é do atendente que não usou seu poder de mediunidade e não nos informou a fila certa. Quando viramos sem querer em uma rua que era contra-mão a culpa é da placa que está mal localizada. Encontrei uma série de desculpas que eu mesma uso para justificar minha falta de atenção ou falta de informação.

A partir disso viajei no assunto e fui muito além. Estou achando que não erramos porque não aprendemos a errar. Sempre observo muito os pais que convivo e que me procuram para conversar. Descobri que somos todos frutos de pais perfeitos que nunca erram – sim os filhos acreditam cegamente nessas desculpas absurdas que nós damos quando erramos. Isso faz com que eles se sintam muito mal quando erram ou com que eles sempre achem um culpado para errarem.

É fácil demais enumerar os erros das nossas mães em nossas criações. Agora tenta achar os próprios erros. Tenho certeza que para cada erro temos uma justificativa ou um culpado. Por exemplo, se seu filho toma refrigerante é porque a avó que dá.

Quando eu piso na bola como mãe eu dou abertura para a Isabela me falar e sempre assumo o que fiz. Mas eu não me dei conta que ela me copia o tempo todo. Nessa tentativa de ser perfeita e não errar, errei muito não ensinando duas coisas muito importantes para a Isabela:

1. todo mundo erra

2. do erro podemos aprender muita coisa

Agora que refleti, viajei e compartilhei essa ideia, já posso por em prática as duas coisas, a que erro e a de tirar o melhor de cada erro meu para que eu não os repita. Assim, posso ensinar a Isabela a aceitar que existe o erro e a crescer em cima de cada falha.

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